Em apoio a colega, integrante da Pussy Riot desiste de pedir liberdade

terça-feira, 22 de outubro de 2013 09:08 BRST
 

Por Anastasia Gorelova

NIZHNY NOVGOROD, Rússia, 18 Out (Reuters) - Maria Alyokyhina, integrante da banda punk russa Pussy Riot, retirou nesta sexta-feira um pedido de liberdade antecipada, a fim de demonstrar apoio a uma colega que está em greve de fome contra as condições carcerárias.

Alyokhina, de 25 anos, e Nadezhda Tolokonnikova estão cumprindo pena de dois anos de prisão por terem feito um protesto contra o presidente Vladimir Putin na principal catedral de Moscou.

"Não tenho direito moral de participar desta audiência judicial no momento em que minha amiga e colega de condenação Nadezhda Tolokonnikova não tem tal oportunidade", disse Alyokhina no tribunal de Nizhny Novgorod, às margens do rio Volga.

Tolokonnikova, de 24 anos, foi hospitalizada no mês passado, no nono dia de uma greve de fome contra o que descreveu como "trabalho escravo" na Colônia Corretiva Nº 14, a sudoeste de Moscou, onde cumpria pena.

Ela retomou a greve de fome na sexta-feira, após ser levada de volta à prisão, segundo nota divulgada por seu marido, Pyotr Verzilov.

Em carta escrita no mês passado, Tolokonnikova dizia ter recebido ameaças de morte de diretores da prisão, e que as detentas precisam trabalhar 17 horas por dia, num sistema de punição coletiva que lembra os campos de trabalhos forçados da era soviética.

As autoridades prisionais negam que haja violações da lei russa ou dos direitos humanos na colônia penal. Investigadores dizem estar analisando as acusações.

"É extremamente estranho e repulsivo para mim que uma condenada na Rússia não seja mais do que uma propriedade geradora de lucros para as autoridades", disse Alyokhina ao tribunal na sexta-feira.   Continuação...

 
Maria Alyokhina, integrante presa da banda Pussy Riot, vista em uma cela durante uma audiência no tribunal de Nizhny Novogorod, na Rússia. Alyokyhina retirou nesta sexta-feira um pedido de liberdade antecipada, a fim de demonstrar apoio a uma colega que está em greve de fome contra as condições carcerárias. 18/10/2013. REUTERS/Roman Yarovitsyn