Fabricantes de gôndolas de Veneza tentam manter viva a tradição

terça-feira, 22 de outubro de 2013 12:07 BRST
 

Por Isla Binnie

VENEZA, 22 Out (Reuters) - As elegantes gôndolas que deslizam por Veneza carregam a marca de um pequeno mas orgulhoso grupo de artesãos que luta para manter vivos os métodos tradicionais de construção do mais famoso símbolo da cidade alagada.

Cada uma conduzida por um gondoleiro com camisa listrada e chapéu de palha, a embarcação de luxo oferece um ambiente romântico para um calmo passeio e, não raro, um pedido de casamento.

Havia em torno de 7 mil gôndolas em Veneza há cerca de 700 anos, de acordo com a associação de gondoleiros Ento Gondola, mas o uso como transporte diário foi substituído por barcos mais modernos. As 433 restantes são agora, sobretudo, atrações turísticas.

No canteiro naval Tramontin, conhecido como "squero" no dialeto veneziano, o fabricante de gôndolas Roberto Tramontin explica porque seu negócio familiar, fundado em 1884 por seu tataravô, ainda fabrica o barco clássico.

"É como uma mulher sem muita maquiagem em um vestido Armani preto, com somente um diamante no pescoço", descreve ele.

Leva dois meses para construir uma gôndola a partir de 280 peças de variadas madeiras, incluindo carvalho, mogno, castanheira, elmo, entre outras, todas custando juntas cerca de 38 mil euros, diz Tramontin.

A madeira é tratada por até um ano antes de poder ser montada em uma forma ligeiramente assimétrica semelhante a uma banana, que permite a um único gondoleiro impulsioná-la em linha reta.

Os construtores de gôndolas praticam por anos antes de começar a construir barcos em tamanho condizente com o peso de cada gondoleiro.   Continuação...

 
Um funcionário limpa uma gôndola no canteiro naval, conhecido como "squero", de San Trovaso, em Veneza. As elegantes gôndolas que deslizam por Veneza carregam a marca de um pequeno mas orgulhoso grupo de artesãos que luta para manter vivos os métodos tradicionais de construção do mais famoso símbolo da cidade alagada. 14/10/2013. REUTERS/Stefano Rellandini