ENTREVISTA-Costa-Gavras fala sobre finanças global e "O Capital"

quarta-feira, 23 de outubro de 2013 18:36 BRST
 

Por Patricia Reaney

NOVA YORK, 23 Out (Reuters) - Após tratar de golpes militares, ditaduras e sequestros em filmes como "Z" e "Missing - Desaparecido", o premiado diretor e roteirista Costa-Gavras examina o sombrio mundo das finanças globais no acelerado drama "O Capital".

Baseado no livro homônimo de Stephane Osmont, a produção francesa estreia na sexta-feira nos Estados Unidos (a estreia no Brasil foi no começo de outubro). A trama gira em torno de Marc Tourneuil, um ambicioso jovem executivo interpretado pelo marroquino Gad Elmaleh.

Costa-Gavras, 80 anos, grego naturalizado francês, já foi descrito como um dos maiores cineastas políticos da história, por causa de obas como "Estado de Sítio", "Atraiçoados" e "Music Box", numa carreira que abrange cinco décadas. Ganhou o Oscar de roteiro em 1983, por "Missing", e o de melhor filme estrangeiro por "Z", em 1969.

O cineasta falou à Reuters sobre o ímpeto para fazer "O Capital", sobre o mundo das finanças globais e sobre seu desejo de fazer um musical.

P.: Por que o sr. fez um filme sobre as finanças globais?

R.: Porque temos um novo tipo de ditadura, que é legal, completamente legal, e aceita por quase todos. É algo muito novo, na minha sensação, no nosso mundo. São as pessoas que dirigem a economia. Na maioria das vezes, não o tempo todo, elas são muito mais fortes do que as pessoas que elegemos para governar os países, por uma simples razão. (...) Elas são deixadas completamente livres (...), e chegamos ao ponto em que estamos agora, que é um ponto muito difícil.

P.: "O Capital" também é sobre a falta de ética e a corrupção.

R.: Se você não respeitar a dignidade dos outros você não tem ética. Sem dúvida é sobre ética. (Os executivos de empresas) entendem muito rapidamente que eles pertencem aos acionistas, e que sua posição depende deles, e que se eles não fizerem o que os acionistas desejam eles vão perder sua posição. Aí quando eles crescem eles são como reis. Têm todo o dinheiro, poder e sexo, é muito difícil para a maioria deles perder todas essas coisas, então eles preferem ficar e esquecer da ética.

P.: O sr. já fez muitos filmes políticos e thrillers premiados. Há planos de fazer um tipo de filme diferente - uma história de amor ou uma comédia?

R.: Se você tiver uma história muito boa para um musical, estou pronto para comprá-la. É um sonho muito antigo meu - fazer um musical.