ESTREIA-"Jovem e Bela" trata da prostituição de jovem de classe média alta

quinta-feira, 21 de novembro de 2013 16:18 BRST
 

SÃO PAULO, 21 Nov (Reuters) - "Jovem e Bela", de François Ozon, revisita o tema da "A Bela da Tarde" (67), de Louis Buñuel, sem a mesma agudeza e sob uma chave adolescente.

Trata-se da história de uma garota de classe média de 17 anos, Isabelle (Marine Vacth), que mantém uma vida dupla como estudante e garota de programa pela excitação da aventura, pela experiência. Não é por dinheiro, nem para comprar uma roupa ou bolsa de grife de luxo, como acontece em tantos lugares.

Contando com a beleza impecável da novata Marine Vacth e seu rosto enigmático, Ozon, o experiente diretor de "Dentro de Casa" e "Potiche - Esposa Troféu", arma uma história que sintoniza com o contemporâneo, mas não vai além da superfície. Muito menos alcança o humor cínico de Buñuel.

Acompanha-se as aventuras de Isabelle a partir do momento em que a garota decide perder a virgindade com um namoradinho de verão alemão (Lucas Prisor) e fica claramente decepcionada. Mas não é nenhum trauma o que deflagra sua decisão de se prostituir.

Muito menos dinheiro. Ela nem mesmo parece ter prazer com suas experiências, ao lado de homens casados, em hotéis de luxo, alguns paternais e delicados, como Georges (Johan Luysen), outros brutais.

Também não tem qualquer problema com a família. Ela se dá bem com o irmão menor, Victor (Fantin Ravat), que se torna seu cúmplice e confidente. Sua mãe, Sylvie (Géraldine Pailhas), e o padrasto, Patrick (Frédéric Pierrot), são compreensivos e atentos.

Claramente, se está diante de outros tempos, outros dilemas adolescentes. Mas o filme só arranha a superfície de seus temas e nem mesmo sua protagonista é muito crível. É fria demais para a idade que tem.

Pontuando uma procura de leveza, a história é contada ao ritmo de quatro estações, cada uma delas tendo como tema uma antiga canção da cantora Françoise Hardy. Sem psicologizar, nem fazer julgamentos morais, mas também sem espírito nem ironia suficientes, o filme acaba não chegando a lugar algum.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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