ESTREIA-Só elenco parece se divertir na comédia "Última Viagem a Vegas"

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 11:09 BRST
 

SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) - "Última Viagem a Vegas" é um espécie de "Se beber, não case!" da terceira idade, trazendo como protagonistas Michael Douglas, Robert De Niro, Morgan Freeman e Kevin Kline, cujas carreiras já tiveram pontos mais altos e mais baixos que este. Por mais que se esforcem, estes bons atores não conseguem superar a quantidade avassaladora de clichês que o roteiro oferece.

Dirigido por Jon Turteltaub ("O Aprendiz de Feiticeiro") e roteirizado por Dan Fogelman ("Enrolados"), o filme acompanha um grupo de amigos de infância que se reúnem para o casamento de um deles. Antes disso, pretendem fazer uma despedida de solteiro em Las Vegas. A superficialidade das figuras transforma o longa mais num especial de fim de ano do que num filme propriamente dito.

Cada um dos atores fazem mais ou menos versões de personagens que já encarnaram nos últimos tempos -ou mesmo na vida real. De Niro é ranzinza e mal-humorado, enquanto Douglas é bon vivant e quer se casar com uma mulher bem mais nova, Freeman é cheio de boa vontade e generosidade, e Kline, o menos lembrado do grupo.

Há um imbróglio da juventude que tenta injetar algum teor dramático ao enredo. Paddy (De Niro) e Billy (Douglas) eram apaixonados pela mesma garota, que acabou se casando com o primeiro, com quem ficou pelo resto da vida. Ela morreu há pouco, mas o amigo nem se deu ao trabalho de comparecer ao funeral.

O encontro é, também, a oportunidade de reatar laços estremecidos. Enquanto prepara seu casamento numa capela em Las Vegas, Billy tenta se desculpar com Paddy, mas, novamente, passam a disputar as atenções da mesma mulher. Trata-se de Diana (Mary Steenburgen), aspirante a cantora, que largou o emprego de advogada e foi para a cidade viver seu sonho.

Archie e Sam, interpretados por Freeman e Kline, respectivamente, também têm seus pequenos dramas para que não passem de meros figurantes.

O primeiro vive com o filho e não tem muita liberdade. Para poder viajar, inventa que vai a um retiro religioso. Já seu colega, casado há décadas, recebe permissão de sua mulher para ficar com quantas garotas quiser -ela até lhe entrega preservativos e Viagra. Além disso, o quarteto ensina aos mais jovens como tratar uma mulher e como se divertir de verdade.

Em meio aos clichês sobre terceira idade, amizade masculina e Las Vegas, Mary Steenburgen é uma presença luminosa -não que sua personagem ou sua trama fujam do óbvio, mas é a única pessoa do elenco que parece empenhada em trabalhar, e não apenas se divertir em Las Vegas.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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