Integrantes da banda Pussy Riot criticam Putin após serem soltas por anistia

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013 19:57 BRST
 

Por Maria Vasilyeva e Nikolai Isayev

KRASNOYARSK/NIZHNY NOVGOROD, Rússia, 23 Dez (Reuters) - Duas integrantes da banda russa punk de protesto Pussy Riot, libertadas nesta segunda-feira, ridicularizaram a anistia do presidente Vladimir Putin que permitiu a antecipação de sua saída da prisão, dizendo se tratar de jogada de propaganda, e prometeram lutar pelos direitos humanos.

Nadezhda Tolokonnikova, de 24 anos, gritou "Rússia sem Putin", após sua libertação de uma prisão na Sibéria, horas depois de a colega da banda Maria Alyokhina, 25, ter sido solta da prisão na cidade de Nizhny Novgorod, à margem do rio Volga.

As moças ainda precisariam cumprir dois meses de pena, mas foram soltas dias depois que um indulto de Putin levou à libertação do ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, oito meses antes do término de sua sentença de dez anos de prisão, decisões amplamente vistas como estratégia para melhorar a imagem da Rússia antes de sediar os Jogos de Inverno, em fevereiro.

"É um ato cínico e repugnante", disse Nadezhda, parecendo relaxada em um casaco preto e camisa xadrez, em declarações à Reuters no apartamento de sua avó na cidade siberiana de Kransoyarsk, onde estava presa.

Nadezhda e Maria foram sentenciadas a dois anos de prisão por um protesto em que falaram palavrões contra Putin em uma igreja ortodoxa russa em 2012, depois de um julgamento que críticos do Kremlin dizem ter sido parte de uma campanha repressiva contra opositores de Putin, em seu terceiro mandato presidencial.

O caso provocou indignação no Ocidente, mas despertou bem menos simpatia no país do que no exterior. Elas iriam ser libertadas no início de março.

Putin, que nega prender pessoas por razões políticas, disse que a anistia iria mostrar que o Estado russo é humano.

No entanto, a medida não beneficia o líder oposicionista Alexei Navalny, que está impedido de disputar eleições por vários anos após uma condenação por roubo - que está suspensa ─, que ele diz se tratar de vingança do Kremlin por seu ativismo. No poder desde 2000, Putin não descarta a possibilidade de disputar em 2018 um novo mandato de seis anos.   Continuação...

 
Integrante da banda russa punk de protesto Pussy Riot, Nadezhda Tolokonnikova, fala com a imprensa após ser libreada da prisão, em Krasnoyarsk, na Rússia. Duas integrantes da banda ridicularizaram a anistia do presidente Vladimir Putin, que permitiu a antecipação de sua saída da prisão, dizendo se tratar de jogada de propaganda, e prometeram lutar pelos direitos humanos. 23/12/2013 REUTERS/Ilya Naymushin