Em cartas, J.D. Salinger lamenta as armadilhas da fama

sábado, 18 de janeiro de 2014 16:24 BRST
 

Por Jon Herskovitz

AUSTIN, Texas, 18 de janeiro (Reuters) - Em uma carta a uma amiga de faculdade, um jovem J.D.Salinger escreve sobre desejar a fama. Em correspondência subsequente para a mesma mulher e seu filho ao longo das quatro décadas seguintes, o autor norte-americano escreveu o quanto odiou seu status de celebridade.

Nas cartas de Salinger para Ruth Smith Maier, uma mulher que conheceu enquanto cursava o Ursinus College na Pensilvânia, em 1938, os dois compartilharam histórias sobre paternidade, trabalhar como escritores e gracejos em geral sobre cultura popular.

As cartas, que especialistas dizem que humanizam o autor, notoriamente recluso e mostram como ele vivenciou uma série de acontecimentos que mudaram sua vida, foram adquiridas pela Harry Ransom Center, biblioteca de pesquisa de ciências humanas da Universidade do Texas, e disponibilizadas para pesquisadores nessa semana.

Na correspondência mais antiga, de janeiro de 1941, um confiante Jerry Salinger, de 22 anos, escreveu para Ruthie que ele pretendia deixar sua marca como autor.

"Eu sou bom," ele diz na carta datilografada. "Vai levar um tempo para convencer o público, mas (isso) vai acontecer."

Ele falou de seu tempo e das pessoas em Ursinos, dando uma pista sobre os temas que fariam parte da sua obra posterior.

"Para cada cem impostores, existe um bom, e essa é a proporção melhor que encontrei aqui na minha selvagem cidade de Nova York," disse ele.

A carta seguinte é datada de 17 anos depois, em 1958. Durante esse período, Salinger foi publicado pela revista New Yorker, serviu como soldado, lutando em algumas das mais brutais batalhas da Segunda Guerra Mundial, na Europa, lançou o seu mais famoso romance "O Apanhador no Campo de Centeio" e o livro "Nove Histórias".   Continuação...

 
Cartas escritas pelo recluso autor norte-americano J.D. Salinger a uma jovem de 18 anos com quem teve um breve caso amoroso há 25 anos fotografadas durante leilão da Sotheby's, em Nova York. Uma outra série de cartas de Salinger, para Ruth Smith Maier, uma mulher que conheceu enquanto cursava o Ursinus College na Pensilvânia, em 1938, foram adquiridas pela Harry Ransom Center, biblioteca de pesquisa de ciências humanas da Universidade do Texas, e disponibilizadas para pesquisadores nessa semana. 22/06/1999.