ESTREIA-“A Menina que Roubava Livros” mantém essência do bestseller no cinema

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014 15:13 BRST
 

SÃO PAULO, 30 Jan (Reuters) - “Quando a Morte Conta uma História, você deve parar para ler” - e pode parar para assistir. Parafrasear o slogan do best-seller “A Menina que Roubava Livros”, que vendeu mais de 2 milhões de exemplares no Brasil e mais de 8 milhões pelo mundo, é a melhor maneira de descrever o resultado da adaptação cinematográfica homônima desse fenômeno literário.

Ainda que a narrativa audiovisual não apresente a mesma desenvoltura da Morte como narradora do livro do australiano Markus Zusak, o filme é instigante.

Para a satisfação dos leitores, “A Menina que Roubava Livros” (2013), de Brian Percival, também traz, ainda que de forma mais discreta, a “ceifadora de almas” narrando a história de Liesel Meminger (Sophie Nélisse), a menina que despertou sua curiosidade quando foi buscar o irmão dela, morto em um vagão de trem na Alemanha nazista.

Os dois eram levados pela mãe, perseguida por ser comunista, para serem cuidados por um casal de meia-idade: Rosa (Emily Watson) e Hans Hubermann (Geoffrey Rush). No entanto, só chegam à rua Paraíso – tradução feita para a rua Himmel do original –, Liesel e o “Manual do Coveiro”, guia roubado pela garota durante o funeral do irmão, na primeira manifestação de sua bibliocleptomania.

Curiosamente, a menina, então com 10 anos de idade, ainda não sabia ler, fazendo com que o carinhoso pai se esforce para ensiná-la. Saboreando o prazer da descoberta das palavras, ela não se furta da paixão pelos livros e continua a desfrutá-los e adquiri-los ilegalmente, sob os olhos e até a conivência do seu melhor amigo Rudy (Nico Liersch) e de Ilsa Hermann (Barbara Auer), esposa do prefeito da cidade.

A mulher é uma das clientes de Rosa, que lava e passa roupas para ajudar no sustento da família, já que o marido não consegue mais trabalho por não ser filiado ao Partido Nazista. Mesmo assim, os dois não medem esforços para abrigar e esconder, mesmo durante o auge da 2a Guerra Mundial, o judeu Max (Ben Schnetzer), filho de alguém a quem Hans deve muito.

Para transformar as quase 500 páginas do livro nas mais de duas horas de filme, o roteirista Michael Petroni – responsável por “As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada” (2010) – alterou a ordem dos acontecimentos, omitiu algumas passagens e inflou um personagem, atribuindo-lhe ações de outros que foram suprimidos do script.

Os fãs xiitas possivelmente reclamarão das mudanças, mas elas são necessárias em qualquer adaptação, pois se trata de outra linguagem. Talvez só uma minissérie seria capaz de abordar todas as subtramas e detalhes da narrativa literária.

Das alterações realizadas, a mais interessante é a troca de “Dar de Ombros” por “O Homem Invisível”, de H. G. Wells, como o livro roubado da fogueira, em uma irônica referência à entrada de Max no enredo.   Continuação...