20 de Fevereiro de 2014 / às 19:39 / em 4 anos

ESTREIA-"Um Conto do Destino" abusa do melodrama para contar história romântica

SÃO PAULO, 20 Fev (Reuters) - Com o mote “milagres podem acontecer”, “Um Conto do Destino” é um romance fantástico baseado no livro homônimo do escritor nova-iorquino Mark Helprin. A trama que enche a tela com amores impossíveis, lutas entre luz e escuridão, reviravoltas do destino, entre outros elementos para lá de emotivos, aumenta o tom do drama para arrancar lágrimas do espectador.

Embora grande parte dessa comoção venha do livro original, não é difícil encontrar as armadilhas plantadas no roteiro do americano Akiva Goldsman (conhecido pelo roteiro de “Eu Sou a Lenda”), e aqui também o diretor.

Helprin escreve no limite do brega, usando expressões como “... o canto de corais em mundos inimagináveis...”, que Goldsman usa à exaustão, muitas vezes na voz (narração em off) da protagonista Beverly Penn (Jessica Brown Findlay), tísica, agonizante e apaixonada.

Aí já se vê que a história é cercada de tragédias.

Logo no início, um casal de imigrantes (Matt Bomer e Lucy Griffiths) é considerado doente demais para desembarcar em Nova York. Como eles não querem que seu filho recém-nascido tenha a mesma vida em fuga, colocam-no em um pequeno barco para que, pelo menos ele, chegue à praia. Uma espécie de Moisés do século 19 que, jogado ao mar à própria sorte, sobrevive.

Anos depois, o bebê se torna o ladrão Peter Lake (Colin Farrell), que foge de seu ex-patrão, e agora algoz, Pearly Soames (Russell Crowe). Como se entende desde o começo, Pearly não é apenas o chefe de uma gangue local, mas também um demônio, que caça Peter por renegar as trevas.

Como deve fugir da cidade, o rapaz decide fazer um último roubo, na casa do milionário Isaac Penn (William Hurt), uma fortaleza em Upper West Side, onde espera encontrar dinheiro suficiente para se manter. No entanto, durante a empreitada, Peter encontra a jovem Beverly, que fora deixada sozinha na mansão, mesmo sendo doente terminal.

Apesar de armado, Beverly não sente medo de seu assaltante e acredita piamente que, de acordo com as regras de seu destino, há motivos além do dinheiro para ele estar ali. A paixão entre ambos é imediata e, como diz o livro: “...Ele foi até onde ela estava como se tivesse nascido para aquilo”.

Não leva muito tempo para Pearly perceber que a relação inusitada do casal poderia criar um milagre de amor, aparentemente o mais nocivo para os demônios. Com a anuência do próprio Satanás (participação especial de Will Smith), ele parte com sua gangue para assassinar Beverly.

Porém, extraordinariamente, Peter passa a ser imortal e a trama salta adiante quase um século. Agora, ele precisa entender qual é realmente sua missão na Terra e, finalmente, encontrar seu destino. Sem saber que Pearly também está vivo e à espreita para acertar suas próprias contas.

Como se vê, “Um Conto do Destino” é uma história de amor que vence o mal e o tempo, na mesma medida em que se rende à fantasia com anjos e demônios e um cavalo alado amigo do protagonista.

Com uma adaptação um tanto solta do livro, já que não é possível colocar toda a volumosa história de Helprin no roteiro, a produção quebra sua própria narrativa para ajeitar o desfecho, corrido e um tanto desconexo (como a breve participação de Jennifer Connelly).

Com o excesso de melodrama, não há qualquer espaço para o humor, o que obriga Colin Farrell a se manter trágico quase todo o filme, algo a que o ator não parece entregar-se com naturalidade.

Por outro lado, a dureza e agressividade de Pearly, que cairiam facilmente a Russell Crowe, perdem-se na desnecessária caracterização do personagem, com efeitos especiais que o tornam demoníaco e os diálogos exagerados, que levam a risos involuntários.

Uma boa definição para “Um Conto do Destino” se encontra na capa do livro, editada com o pôster do filme: “Esta não é uma história real. Este é um amor real”. Ou seja, uma produção exclusiva para quem busca o amor na sala de cinema, sem se importar com o modo como a história é contada.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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