"12 Anos de Escravidão" e "Gravidade" devem travar principal disputa do Oscar

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014 14:53 BRT
 

Por Mary Milliken

LOS ANGELES, 26 Fev (Reuters) - Para a historiadora Brenda Stevenson, especialista sobre a escravatura nos Estados Unidos, "12 Anos de Escravidão" é um trabalho de mestre, mais importante do que qualquer outro filme sobre o tema, tão marcante que ela planeja exibi-lo para seus alunos na universidade.

É esse tipo de elogio que "12 Anos de Escravidão" está recebendo de especialistas, de críticos, do público e da indústria de cinema há seis meses. Mesmo assim, o aclamado drama talvez fracasse no seu teste final e não leve o principal dos prêmios cinematográficos do mundo, o Oscar de melhor filme.

O longa do diretor britânico Steve McQueen parece ser o favorito para a maior honra do cinema na cerimônia de domingo, mas tem pelo menos três fatores conspirando contra ele: outra produção marcante de ótima qualidade, "Gravidade", a peculiar matemática da votação do Oscar e o retrato brutal que o próprio filme faz da escravidão norte-americana.

"Eu acho que é um filme difícil de assistir", afirmou Stevenson. "Uma das coisas que eu acho que Steve McQueen fez muito bem foi capturar a violência da instituição."

A história real norte-americana sobre a venda do homem negro e livre Solomon Northup para ser escravo pode ganhar pelo critério de importância histórica.

No entanto, às vezes, os eleitores da Academia escolhem o filme que oferece o entretenimento mais prazeroso, e "Gravidade" tem isso de sobra.

Ao mesmo tempo em que as nove produções indicadas para melhor filme fazem deste ano um dos mais fortes dos últimos tempos, elas também resultaram numa boa dose de incerteza para a principal noite de Hollywood. Os membros da Academia com poder de voto têm opções variadas, como os sucessos "Trapaça" e "O Lobo de Wall Street" e os filmes menores "Nebraska" e "Philomena".

"Nos 12 ou 13 anos que eu venho me dedicando a isso, eu não me lembro de uma disputa por melhor filme tão indefinida como a deste ano", afirmou Scott Feinberg, analista do The Hollywood Reporter.   Continuação...