ESTREIA-"Tudo por um furo" faz sátira ao jornalismo de televisão

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 14:57 BRT
 

SÃO PAULO, 27 Fev (Reuters) - Há nos Estados Unidos uma trupe que faz comédia sob as rédeas nada curtas do produtor, diretor e até ator Judd Apatow. Sejam eles saídos do programa humorístico "Saturday Night Live", como Steve Carell, Tina Fey e Kristen Wiig (que escandalizam a premiação do Globo de Ouro há dois anos), ou mesmo por laços de amizade, como Paul Rudd, James Marsden e Greg Kinnear.

Trata-se de um humor extremamente norte-americano. Porém, "Tudo por um furo", esta sequência, cujo original foi direto para DVD no Brasil, é muito superior. Não pelo estilo, que mantém desde "O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy" (2004), idolatrado nos Estados Unidos como cult, mas pelo roteiro muito bem elaborado por Adam McKay e Will Ferrell, o protagonista, Ron Burgundy.

Como no primeiro filme, Burgundy é um âncora de um jornal regional (San Diego), que se muda com a única mulher que o aguenta (Christina Applegate) para Nova York. Sexista, racista e uma máquina de gafes, ele logo é despedido pelo dono da emissora (Harrison Ford). Enfim, ele é o pior apresentador do mundo.

Porém, em meio à década de 1980, há um canal que começa a passar notícias 24 horas (uma alusão à CNN) e busca o âncora desempregado para um jornal vespertino. É o necessário para ele reunir a antiga trupe de esquisitos, como Brian (Rudd), o invasivo Champ (David Koechner) e o insensato Brick (Carell).

"Tudo por um furo" fala mais do jornalismo do que de comédia, propriamente. Responsabiliza o absurdo Ron Burgundy como criador do jornal que não discute problemas sérios, alternando entre perseguição de carros e histórias de vida (invariavelmente com a bandeira americana).

Apesar do humor vacilante, encontra-se aqui inspirações de Buster Keaton e até Jim Carrey (que bebe do primeiro sem citar). Mas, no fim, "Tudo por um Furo" vale pelo que realmente parece: uma história sobre jornalismo. E vale também pela participação mais do que especial (e muito divertida) de Marion Cotillard, Liam Neeson, Sacha Baron Cohen e o resto da patota do Apatow, que, enfim, é praticamente uma família.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb