6 de Março de 2014 / às 16:19 / 3 anos atrás

ESTREIA-"Tinker Bell - Fadas e Piratas" traz juventude do futuro Capitão Gancho

SÃO PAULO, 6 Mar (Reuters) - Quando Sir James Matthew Barrie criou uma companheira leal para Peter Pan em suas aventuras, decidiu que ela deveria ser uma fada, às vezes, carinhosa e atenciosa, e outras, mimada, ciumenta e mal-humorada.

A peça de 1904 foi transposta para o filme homônimo da Disney de 1953, "Peter Pan", e a personagem, então chamada de Tilintim na dublagem brasileira, manteve seu jeito arredio e conquistou fãs por gerações e gerações, que passaram a chamá-la de Sininho, alcunha incorporada nas novas versões da história.

Mas, ao ganhar um filme próprio em 2008, o Brasil passou a conhecê-la pelo seu nome original, Tinker Bell; porém, ela apresentava uma personalidade mais doce do que a de antes.

O sucesso de "Tinker Bell: Uma Aventura no Mundo das Fadas" (2008), lançado direto em DVD, motivou a criação da franquia Disney Fadas e a produção de novos títulos com a personagem.

Vieram "Tinker Bell e o Tesouro Perdido" (2009) e "Tinker Bell e o Resgate da Fada" (2010), diretamente em DVD, e "Tinker Bell: O Segredo das Fadas" (2012), com lançamento restrito nas salas dos Estados Unidos e também no Brasil.

Agora é a vez de "Tinker Bell - Fadas e Piratas" (2014) chegar aos cinemas, inclusive em cópias 3D, sob a direção de Peggy Holmes, a responsável pelo longa anterior da série - e o mais fraco, por sinal.

A animação traz a história de Zarina (voz de Christina Hendricks, na versão original), uma fada curiosa que gosta de fazer experiências com o pó mágico, tanto o tradicional dourado quanto o escasso e poderoso azul, algo completamente proibido no Refúgio das Fadas.

Repreendida por transgredir as regras, ela rouba o pó cor de anil e se junta a um bando de piratas, liderados por James (Tom Hiddleston, no original, e Caio Castro, com uma dublagem que soa estranha na versão brasileira), que desejam que a pequena corsária faça a embarcação deles voar.

Sim, estamos falando de James Hook, o famoso Capitão Gancho, apresentado aqui em sua juventude, ainda com as duas mãos, mas já com seu caráter dúbio. Exceto algumas citações à Terra do Nunca e uma pequena aparição de Wendy no capítulo inicial da franquia, é a primeira vez que ela se aproxima mais do mundo apresentado pelas aventuras de Peter Pan, algo que, para os espectadores de menos idade, poderá passar despercebido.

A questão é saber se há uma intenção de introduzir o menino que não queria crescer no universo criado no Refúgio das Fadas, e se a série terá fôlego para isso.

O roteiro está bem longe da complexidade das animações modernas, com as quais o público atual, infantil ou adulto, está acostumado, por causa da Pixar - até da própria Disney, recentemente - e da Dreamworks. E não é preciso magia para adivinhar que Tinker Bell (Mae Whitman) e suas inseparáveis companheiras farão de tudo para reaver a fonte do pó mágico azul e mostrar o valor da amizade para Zarina.

Aliás, quem acompanha a franquia sabe que a amizade é um tema recorrente em todos os filmes, especialmente o segundo.

Por isso, o assunto não estaria de fora desta nova história, assim como outras questões: a valorização do talento pessoal, foco do primeiro longa, volta a ser destaque com as habilidades de Zarina e a troca dos talentos da artesã Tinker Bell e de suas amigas fadas multitalentosas; o limite imposto pela autoridade está presente, como na primeira, terceira e quarta películas; e a jornada de resgate, igual à que ocorreu na terceira aventura.

Mas o quinto filme também traz como novidade a temática da relação com o poder, o que fazer com ele e o que ocorre quando este cai em mãos erradas, tudo através da trama sobre magia.

Focando nisso, o longa, naturalmente, dá mais destaque para os novos personagens, Zarina e James, e deixa Tinker Bell e as outras fadas como coadjuvantes e alívio cômico, o que pode provocar estranheza para os fãs.

Assim, "Tinker Bell - Fadas e Piratas" é uma animação simples; não tecnicamente, pois os gráficos são bem realizados - e a utilização do 3D, apesar de se mostrar desnecessária, não é totalmente desperdiçada. Mesmo sem ser tão envolvente quanto os três primeiros filmes da série, ainda sim a produção cumpre o seu papel de entreter os pequenos por um pouco mais de uma hora.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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