ESTREIA-Em "Refém da Paixão", Kate Winslet vive divorciada que se envolve com fugitivo

quarta-feira, 12 de março de 2014 17:01 BRT
 

SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - Pobre Adele (Kate Winslet). Sua autoestima anda tão baixa que ela se submete a um jogo tácito de sedução com um presidiário em fuga, chamado Frank (Josh Brolin), pois esta parece ser sua última chance de sentir alguma coisa.

Separada do marido (Clark Gregg), e com um filho adolescente, Henry (Gattlin Griffith), quase tão confuso quanto ela, a protagonista do drama romântico "Refém da Paixão" levava uma vida reclusa e sem perspectivas até a chegada do criminoso.

Um calor infernal durante um final de semana prolongado pelo feriado do Dia do Trabalho (nos EUA, celebrado na primeira segunda-feira de setembro, próximo ao final do verão e início do ano letivo) é o que marca esses personagens e o cenário.

Escrito e dirigido por Jason Reitman ("Juno" e "Amor sem Escalas"), a partir do romance "Fim de Verão", de Joyce Maynard, o longa se passa numa época consumida pelo calor, em que as pessoas se entregam à preguiça dos dias quentes.

A história é contada por Henry anos mais tarde -interpretado por Tobey Maguire, numa pequena participação- que tem a seu favor o tempo como mediador, permitindo observar os acontecimentos longe do calor do momento. Seria de esperar uma certa distância crítica, mas a presença de Frank na vida da mãe e do filho é tão forte que ele se tornou uma figura mítica, inabalável.

Eles se conhecem quando o criminoso foge do hospital, depois de uma cirurgia de apêndice, e discretamente os toma como reféns num mercado. Logo Frank se instala na casa deles, onde se esconde da polícia. É possível que a dinâmica que se inicia entre Frank e Adele tenha subtons de sadomasoquismo.

Primeiro, ele a amarra na cadeira, precisa manter a aparência do "sequestro" para protegê-la, caso a polícia ou algum vizinho apareça. Ele fala com a voz mansa, é sedutor, e, depois que mostra quem está no poder, solta-a das amarras -as reais e as imaginárias.

Em seus filmes, Reitman sempre se valeu da comédia, da sátira, do sarcasmo para fazer um comentário sobre a sociedade norte-americana contemporânea, seja sobre o politicamente correto ("Juno" e "Obrigado por Fumar") ou a crise econômica e desemprego ("Amor sem Escalas"). Aqui, seu viés é outro -é um paraíso perdido e reconquistado com o qual ele lida na chave do drama.

A narrativa se passa no final dos anos de 1980, mas poderia ser nos anos de 1950 ou mesmo 1960. Reflete claramente uma saudade do passado, manifestada pelo adolescente, agora adulto, olhando para trás.   Continuação...