ESTREIA-Apesar de bonito visualmente, "Rio 2" se perde em clichês sobre Brasil

quarta-feira, 26 de março de 2014 16:31 BRT
 

SÃO PAULO, 26 Mar (Reuters) - Sequência da animação de sucesso de 2011, "Rio 2" repete os mesmos elementos e formas de seu original e, ainda assim, não tem o mesmo charme que o primeiro filme. Talvez seja exatamente por isso - não há muita novidade na animação dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, que assina o roteiro com Don Rhymer (também roteirista do anterior e "Vovó... Zona", entre outros).

Talvez o filme, que será exibido em cópias dubladas em português e algumas poucas legendadas, em versões 3D e 2D, não devesse nem se chamar "Rio", já que a ação se passa quase na totalidade no Amazonas.

Agora, Blu e Jade levam uma vida tranquila com seus três filhos pequenos num santuário, onde as ararinhas azuis são protegidas - pois são os únicos exemplares da espécie. Mas, quando os cientistas Tulio e Linda veem outra ave igual a eles na Amazônia, o quarteto parte para lá para encontrá-la.

Trocam-se os clichês do Rio carnavalesco, com praia, favela e gente bronzeada, pelas cores e animais da floresta. Blu, Jade e companhia (o que inclui outras aves de quem são amigos) reencontram a família dela e descobrem que o pai da ararinha é o líder do grupo. Além disso, a região está ameaçada pelo desmatamento.

Também volta à cena a invejosa cacatua Nigel, que agora tem uma fã: uma rã venenosa, que, apesar de apaixonada por ele, só o admira de longe, pois tem medo de matá-lo. Além disso, há um tamanduá mudo que se veste de Charlie Chaplin, e é uma espécie de faz-tudo da ave. Sem dúvida, essas duas personagens novas são a melhor parte do filme.

Nem toda a boa vontade de Saldanha, o colorido das imagens e a fofura dos personagens são capazes de disfarçar a falta de novidades. Sem muita história para contar, "Rio 2" apela aos números musicais.

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, "Rio 2" capitaliza em cima dos passeios turísticos - não que o primeiro também não o fizesse. Agora, ao invés do Carnaval, o foco recai sobre o Ano Novo em Copacabana, e, mais tarde, na Floresta Amazônica - mostrada em todo seu exotismo para agradar e seduzir estrangeiros. Não será surpresa, então, se em 2016, uma nova sequência vier - bem a tempo dos Jogos Olímpicos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb