ESTREIA-"Capitão América 2" atualiza a identidade do super-herói

quarta-feira, 9 de abril de 2014 16:10 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Abr (Reuters) - Nada menos que admirável o trabalho que a Marvel tem realizado a partir de seu universo de heróis e vilões, do qual a sequência "Capitão América 2 - O Soldado Invernal" faz parte. Dos quadrinhos para as telas de cinema, televisão e computadores, os estúdios criaram um mosaico bem estruturado em que todas as suas produções estão conectadas.

A primeira grande fase do projeto da Marvel, que teve início com "Homem de Ferro" (em 2008) e terminou com "Os Vingadores" (2012), segue em frente com os sucessos "Homem de Ferro 3", "Thor - O Mundo Sombrio" e, agora, "Capitão América 2 - O Soldado Invernal".

Segunda fase essa que inclui também a série de TV, "Agents of S.H.I.E.L.D" (canal Sony Brasil) e a série de curtas-metragens que pode ser vista na Internet, "Marvel One Shot".

Embora siga cronologicamente as sequências de "Homem de Ferro" e "Thor", "Capitão América 2..." não pode ser considerado uma mera continuação. Foi realizado pelos irmãos diretores Anthony e Joe Russo (da série de TV "Community") seguindo o ideal da Marvel de que cada um dos personagens deve ter uma história isolada, mas que dialogue com as demais.

Isso quer dizer que é possível assistir a este filme sem acompanhar o restante do universo Marvel? Possivelmente. Porém, é inegável que a falta de contexto interfere no entendimento do que se vê na tela.

Além disso, perde-se a oportunidade de reconhecer o bom trabalho dos roteiristas de interligar as complexas tramas.

Exemplo maior disso é a relação entre a agência de espionagem S.H.I.E.L.D, liderada por Nick Fury (Samuel L. Jackson) e o Capitão América (Chris Evans).

Steve Rogers tem a ver com moral e valores de uma época (ele foi criado na década de 1940 para exortar o patriotismo americano em meio à Segunda Guerra Mundial). Uma das questões que domina o filme, portanto, é como ele, hoje, trabalha para uma agência cujas atividades podem ser vistas como subversivas e antiéticas, como mostrado em "Os Vingadores".

Bebendo em referências como "Os Três Dias do Condor" (de Sydney Pollack, 1975), o roteiro constrói toda a primeira parte da produção para o espectador entender e apoiar o código moral do protagonista. Quando conquista a audiência, o Capitão América passa a ser colocado em situações de risco.   Continuação...