OBITUÁRIO-García Márquez, o Nobel que apagou as fronteiras entre magia e realidade

quinta-feira, 17 de abril de 2014 19:24 BRT
 

Por Esteban Israel

17 Abr (Reuters) - Apagando com sua pena a fronteira entre o mágico e o real, o colombiano Gabriel García Márquez revolucionou as letras com histórias de vida, de morte e de mais além, que o converteram no escritor mais famoso e querido da América Latina.

O autor de "Cem Anos de Solidão" morreu nesta quinta-feira aos 87 anos, vencido por um câncer, em sua casa na Cidade do México, onde viveu a metade de sua vida. Sua morte encerra um dos capítulos mais ricos da literatura latino-americana.

Inspirado pelas histórias que, quando criança, escutou seus avós contarem, García Márquez criou o universo paralelo de Macondo e o povoou com personagens alucinantes, como mulheres que levitavam, homens que voltam da morte e casais que têm bebês com rabos de porco.

O escritor de sorriso fácil, bigode espesso e cabelo enrolado foi o rosto do boom da literatura latino-americana da década de 1960. A estatura universal de seu estilo, o realismo mágico, foi reconhecida em 1982 com o Nobel de Literatura.

"Sou simplesmente um observador da nossa realidade", disse à TV espanhola TVE depois de receber o prêmio.

"Tenho uma sensibilidade especial para este mundo em que nasci, e é com essa sensibilidade que trabalho", explicou. "Nego-me a sair dela. Não tenho por que sair dela. Dei-me muito bem com ela".

E essa mesma sensibilidade o converteu em um homem político. Um de seus melhores amigos era o líder cubano Fidel Castro, e seu filho mais velho foi batizado por Camilo Torres, um padre espanhol que fundou o grupo guerrilheiro colombiano Exército Nacional de Liberação (ELN).

Metódico e obsessivo, García Márquez contou ao jornalista norte-americano Jon Lee Anderson que se levantava todos os dias às cinco da manhã. Lia um livro durante algumas horas, folheava os jornais, respondia e-mails e - chovesse ou fizesse sol - dedicava quatro horas diárias a escrever.   Continuação...

 
O escritor Gabriel García Márquez participa de uma cerimônia em Monterrey, no México, em outubro de 2007. 02/10/2007 REUTERS/Tomas Bravo