ESTREIA-"Jackie" explora laços de afeto entre mãe e filhas desconhecidas

quarta-feira, 23 de abril de 2014 16:08 BRT
 

SÃO PAULO, 23 Abr (Reuters) - "Jackie" é um filme que já foi feito e visto dezenas de vezes, e, ainda assim, tem algo a oferecer - especialmente pelo retrato humano que faz de seu trio de personagens centrais.

Sofie (Carice van Houten, de "A espiã" e "Game of Thrones") e sua irmã gêmea Daan (Jelka van Houten) nasceram e vivem na Holanda. Filhas de um casal de homossexuais, foram geradas na barriga de uma norte-americana hippie que viajava pela Europa nos anos de 1960.

Agora, adultas, as duas querem conhecer sua mãe de verdade, Jackie (Holly Hunter), e, para isso, viajam aos Estados Unidos. Encontram a mulher com uma perna quebrada, prestes a ter alta de uma clínica, e sem ter para onde ir, a não ser a casa de um irmão que mora do outro lado do país. Para chegar lá, terão de atravessar o deserto do Novo México.

Jackie mora num trailer velho e este servirá de condução para o trio em sua viagem nesse road movie. A princípio, a mãe é de poucas palavras, arredia à presença das filhas.

A jornada, no entanto, se transforma no processo de mudança dessas mulheres. Sofie, que só pensa no trabalho, nem chegou a dizer ao chefe que está fora da Holanda, e isso pode custar sua promoção. Daan é casada com Joost (Jeroen Spitzenberger), e há algum tempo tentam ter um filho, mas, no fundo, ela tem dúvidas se quer mesmo ser mãe.

Ao mesmo tempo, trata-se do processo de autodescoberta de Jackie e do surgimento de sua capacidade de criar laços de afeto com essas filhas adultas que ela nunca havia visto.

Há muito sem um papel à sua altura, a atriz Holly Hunter tira proveito de tudo o que a personagem oferece, ampliando seu arco de transformação.

Dirigido por Antoinette Beumer, o filme demonstra a sensibilidade de dar o tempo certo às suas personagens, para que elas cresçam e amadureçam. É, em certo sentido, o processo de humanização de cada uma delas, mesmo que perdidas em meio à paisagem árida do deserto.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb