Dois milênios depois, Roma celebra o legado do imperador Augusto

quarta-feira, 30 de abril de 2014 10:49 BRT
 

Por Philip Pullella

ROMA, 30 Abr (Reuters) - Roma, cidade que mede o tempo em milênios, está passando por uma "augustomania" para marcar os 2.000 anos da morte do seu primeiro imperador, Augusto, uma das figuras mais marcantes para a civilização romana e ocidental.

A Cidade Eterna promove espetáculos, exposições, debates e seminários sobre Augusto, que morreu em 19 de agosto do ano 14, aos 75 anos, após 41 anos de reinado, o mais longo na história romana.

As celebrações abordam também o lado sombrio de um legado que inspirou ditadores modernos, como o italiano Benito Mussolini, que imitava Augusto no uso da arquitetônica monumental como forma propaganda e que estudou as táticas dele para obter, consolidar e mascarar o poder.

Augusto expandiu enormemente o Império Romano, estabeleceu um período de relativa paz sob coação, conhecido como "Pax Romana", e promoveu uma explosão de criatividade e inovação na arquitetura, nas leis e na literatura, com efeitos que foram bem além da capital imperial.

Sob seu reinado, Roma virou uma cidade de alta qualidade, com projetos de infraestrutura que melhoraram muito a vida dos habitantes, após um período de discórdia e violência que marcou a fase imediatamente anterior, a da República.

"A paz que ele trouxe significou que muitos dos antigos problemas puderam ser resolvidos, e um dos primeiros que ele tentou resolver foi a própria cidade de Roma", disse Valerie Higgins, que dirige o programa de Arqueologia e Cultura Clássica da Universidade Americana de Roma.

Em seu leito de morte, segundo o historiador Suetônio, Augusto disse: "Marmoream relinquo, quam latericiam accepi" ("deixo como mármore encontrei feita de tijolos"). Monumentos que perduram até hoje, como o Fórum de Augusto, o Panteão, o Teatro de Marcellus, aquedutos e seu próprio mausoléu familiar, foram construídos por ordens dele ou então financiados ou estimulados pelo imperador.

"A maioria das pessoas imagina que Roma era uma grande cidade e que aí Roma criou um império, mas sob muitos aspectos foi ao contrário", disse Higgins, explicando que as melhorias só aconteceram graças à paz que se seguiu às reformas de Augusto.   Continuação...