ESTREIA-Sequência de "O Homem-Aranha" gira em falso por falta de bons vilões

quarta-feira, 30 de abril de 2014 18:09 BRT
 

SÃO PAULO, 30 Abr (Reuters) - Diretor talentoso, excelente elenco, concepção visual incrível e um herói extraordinário são qualidades superlativas de "O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro". Daí a surpresa ao ver que, no final da projeção, o resultado dessa soma não corresponde às expectativas geradas para esta sequência, que circula em versões 3D, 4DX e 2D.

O primeiro motivo para esse desequilíbrio vem da própria concepção da nova narrativa do herói. Embora tenha sangue novo e a história recomece do zero, os conflitos imediatos não podem ser mudados na origem (os HQs). A sensação é a de que trocaram os limões, mas continuam servindo limonada.

No primeiro filme, tudo se manteve na biografia de Peter Parker (Andrew Garfield). Seus pais (Campbell Scott e Embeth Davidtz) o deixam na casas dos tios (Martin Sheen e Sally Field) e o rapaz ressente-se pelo abandono, apesar do ambiente amoroso em que vive. Quando se torna finalmente o Homem-Aranha, mais uma vez uma produção se debruça sobre a descoberta dos poderes e suas consequências.

O que muda o tom nesta sequência é revelação do como e por que Peter foi deixado para trás e o que isso tem a ver com as aranhas geneticamente modificadas que deram superpoderes ao rapaz e, mais tarde, os darão ao Duende Verde. Mas isso é explicação de fundo, enquanto o herói sofre mesmo é pelo amor de Gwen (Emma Stone), com quem não pode ficar junto, graças à promessa feita ao pai da moça, no final do filme anterior.

Entre o namoro proibido e a luta de vigilante contra o crime, a produção ganha em humor, muito devido à dinâmica entre Andrew e Emma (carismáticos e bons atores, além de serem um casal na vida real). Um relacionamento que dá leveza ao filme, que o diretor Marc Webb sabe como levar - basta lembrar sua competência em "500 Dias com Ela", que assinou.

Não demora muito para aparecer em cena Max Dillon (Jamie Foxx), como um inexpressivo engenheiro elétrico das indústrias Oscorp. Aficionado pelo herói (ele conversa com fotos do Homem-Aranha), ele acaba acidentalmente caindo em um tonel de enguias modificadas, que o tornam capaz de absorver (e se tornar) energia elétrica.

Quando descobre seus poderes e seu ídolo vai confrontá-lo, em meio à lotada Times Square, um erro de comunicação entre os dois faz com que Max inverta os polos e passe a odiar o Homem-Aranha.

Essa é a origem de Electro, numa saída, no mínimo fácil, do roteiro. Aliás, este Electro é uma mistura do personagem das coleções "Ultimate Marvel" e "Marvel Comics", somada às liberdades para sua versão cinematográfica.

Junto a esse conflito, há também a chegada de Harry Osborn (Dane DeHaan), herdeiro da Oscorp e amigo de infância de Peter. Sofrendo de uma doença degenerativa, entende por meio de pesquisas deixadas por seu pai (participação especial de Chris Cooper), que só poderá encontrar a cura com a ajuda do Homem-Aranha.   Continuação...