ESTREIA-Comédia "Mulheres ao Ataque" insiste em estereótipos

quarta-feira, 7 de maio de 2014 17:08 BRT
 

SÃO PAULO, 7 Mai (Reuters) - Protagonizada por Cameron Diaz, "Mulheres ao Ataque" é mais uma comédia romântica igual - ou um pouco mais sem graça - a todas as outras dos últimos tempos. Mulheres histéricas, cujas vidas foram transformadas para pior por um homem, querem se vingar. Será que todas as mulheres se identificam com esse estereótipo limítrofe no qual Hollywood tanto insiste?

Carly (Cameron Diaz) é uma advogada bem-sucedida que nunca pensou em se casar - só quer curtir, namorar diversos homens, até que se apaixona por Mark King (Nikolaj Coster-Waldau, da série "Game of Thrones"). Eles vivem um romance até ela descobrir que ele é casado com Kate (Leslie Mann), dona-de-casa de classe média alta, suburbana, sem qualquer tipo de ocupação a não ser tomar conta do marido - e aparentemente, não faz isso direito, pois ele é infiel.

As duas se conhecem e armam um plano de vingança contra ele - que envolve adicionar hormônio feminino ou laxante à sua bebida, ou creme depilatório ao xampu. Mais tarde, descobrem que ele ainda tem uma segunda amante, Amber (a ex-modelo Kate Upton, a única que parece confortável aqui), uma moça bonita, mas sem qualquer traço de esperteza.

Seria feminista um filme em que os homens são meros detalhes, apenas coadjuvantes para um final feliz? Talvez fosse, mas não é, a partir do momento em que "Mulheres ao Ataque" insiste em todos as ideias da sociedade patriarcal: mulher até pode trabalhar fora de casa, mas só é feliz se for casada, enfim, se tiver um homem para chamar de seu. Enfim, mesmo fora de cena, os homens no fundo prevalecem aqui.

Dirigido por Nick Cassavetes - filho do grande cineasta John Cassavetes e da grande atriz Gena Rowlands -, "Mulheres ao Ataque" poderia ter saído de um programa de computador, com atrizes fazendo o que sempre fizeram, homens sem precisar do mínimo esforço para as conquistas, e o cenário idílico de Nova York.

As imagens iniciais, uma visão aérea de cidade, já dizem a que o filme veio: repetir clichês à exaustão. Nem o despudor de Cameron Diaz para a comédia física tem alguma serventia aqui.

Ao final, o longa é uma versão pálida, menos engraçada e perspicaz de "O Clube das Desquitadas", no qual ex-mulheres (interpretadas por Bette Midler, Diane Keaton e Goldie Hawn) faziam da vida dos ex-maridos um inferno. Mas isso eram os anos de 1990, quando o cinema se permitia fazer uma comédia esperta protagonizada por atrizes que já passaram dos 50 anos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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