Crime político dos anos 70 não prescreve, diz juiz argentino
BUENOS AIRES (Reuters) - A Justiça argentina declarou na segunda-feira imprescritíveis os crimes cometidos pelo grupo paramilitar Triple A durante um período de regime civil na década de 1970.
A decisão permite ao juiz Norberto Oyarbide manter as investigações sobre os crimes da chamada Aliança Anticomunista Argentina, que segundo órgãos de direitos humanos matou até 2.000 pessoas antes do golpe de 1976, que derrubou a presidente María Estela Martínez de Perón, conhecida como "Isabelita" Perón.
"É minha convicção que os crimes da Triple A, sem dúvida alguma, constituem crimes contra a humanidade, que por sua magnitude e significação não deixam de ser vivenciados pela sociedade e a própria comunidade internacional. Por isso a jurisdição deve investigá-los além do transcurso do tempo," disse o juiz Horacio Cattani em sua sentença.
Oyarbide foi quem pediu a extradição de Eduardo Almirón, ex-integrante da Triple A, concedida em fevereiro pela Espanha.
O juiz também pediu a extradição da ex-presidente "Isabelita" Perón, cuja prisão preventiva foi solicitada por suposto envolvimento no mesmo caso. A Espanha ainda não se manifestou a respeito.
Os esquadrões da Triple A perseguiam jornalistas, políticos e guerrilheiros de esquerda, principalmente de grupos como Montoneros e o Exército Revolucionário do Povo (ERP).
(Reportagem de César Illiano)
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