Oposição da Venezuela volta às ruas para protestar contra Maduro

quinta-feira, 20 de abril de 2017 14:42 BRT
 

Por Brian Ellsworth

CARACAS (Reuters) - A oposição da Venezuela retomou os protestos nesta quinta-feira para pressionar o governo do presidente Nicolás Maduro a realizar eleições, um dia depois de três pessoas morrerem durante manifestações realizadas em meio a uma grave crise econômica.

O número de manifestantes, no entanto, era menor do que as centenas de milhares de pessoas que foram às ruas de Caracas e de outras cidades venezuelanas na quarta-feira, na maior e mais recente ação ao longo das várias semanas de protestos contra o que opositores de Maduro afirmam ser uma guinada do governo rumo a uma ditadura.

As autoridades governamentais minimizam as manifestações, caracterizadas por barricadas de rua e confrontos com as forças de segurança, classificando-as como esforços violentos e ilegais para depor o governo de esquerda de Maduro, com apoio de adversários ideológicos dos Estados Unidos.

A oposição afirma que Maduro, profundamente impopular no momento em que os venezuelanos sofrem com uma inflação de três dígitos e uma escassez de alimentos e de bens de consumo, está tentando se manter no poder indefinidamente, impedindo que líderes opositores ocupem cargos públicos e sufocando instituições independentes.

"Iremos continuar nas ruas, isso não tem fim", disse o guarda-costas Yorman Barrios, de 25 anos, enquanto manifestantes e forças de segurança travavam choques nos arredores, na quarta-feira.

A oposição conclamou apoiadores a se reunirem em cerca de duas dúzias de pontos nos arredores de Caracas e marchar para a capital, como tentaram fazer no dia anterior.

A onda atual de passeatas anti-Maduro, a mais prolongada desde 2014, tem provocado conflitos constantes nos quais jovens e soldados da Guarda Nacional travam confrontos violentos. Na noite de quarta-feira também surgiram barricadas e houve alguns saques.

Dois estudantes e um agente da Guarda Nacional foram mortos nas manifestações de quarta-feira, elevando o saldo de mortes dos protestos deste mês a oito. O grupo de direitos humanos Penal Forum disse que mais de 500 pessoas foram presas.   Continuação...

Manifestante de oposição arremessa de volta granada de gás lacrimogêneo lançada pela polícia durante protesto. 19/04/2017 REUTERS/Marco Bello