ENTREVISTA-BNDES pode ampliar investigação interna a ex-presidentes, diz diretor

quinta-feira, 20 de abril de 2017 19:44 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode estender a ex-presidentes do órgão uma investigação interna para apurar irregularidades na liberação de financiamento para projeto em Angola, disse nesta quinta-feira um diretor do banco de fomento.

Em entrevista à Reuters, o diretor de controladoria do BNDES, Ricardo Baldin, disse que por enquanto não há elementos que envolvam os ex-presidentes do BNDES em irregularidades, mas a chance de uma apuração chegar a eles não foi descartada.

Na semana passada, o BNDES instaurou uma comissão da qual Baldin faz parte para apurar supostas irregularidades em contrato assinado pelo banco de apoio à exportação em Angola. Em delação a investigadores da Lava Jato, o patriarca do grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva influenciou o BNDES na ampliação de uma linha de financiamento para obras da construtora do grupo em Angola. [nL1N1HO098]

Um outro ex-executivo da Odebrecht, João Nogueira, citou também em delação os nomes de dois ex-funcionários do BNDES que teriam supostamente atuado em favor da Odebrecht para facilitar ou agilizar a liberação de crédito à exportação para empreiteira: Luiz Mellin e Álvaro Luiz Vereda.

Mellin foi diretor internacional e de comércio exterior do BNDES de janeiro de 2003 a dezembro de 2004 e de abril de 2011 a novembro de 2014. Vereda, foi assessor da presidência do banco de outubro de 2005 a maio de 2006.

Entre janeiro de 2003 e maio de 2016, quando a gestão do BNDES mudou para a atual, o banco foi presidido por Carlos Lessa, Guido Mantega, Demian Fiocca e Luciano Coutinho. O contrato de apoio à exportação citado pelos delatores foi firmado em 2010, de acordo com o banco. Naquele ano, o BNDES era presidido por Coutinho.

"Tenho que ver qual é o envolvimento, o modus operandi, o que de fato eles (os 2 investigados) fizeram para atender esse ou aquele empresário. A partir disso vou desenhar todo o escopo, vou atrás e, no meio do caminho, eu posso esbarrar em outra coisa", disse Baldin. Ao ser questionado se um ex-presidente do BNDES poderia ser investigado Baldin disse que "sim".

"Se for citado, se eu esbarrar na pessoa, é minha obrigação fazer isso (investigar)."   Continuação...