SAIBA MAIS-Biocombustíveis: impacto sobre alimentos e poluição
3 de junho (Reuters) - Os biocombustíveis estão sob fogo cerrado. Críticos acusam-no de contribuir com a alta do preço dos alimentos e com a degradação do meio ambiente. Os defensores alegam que os biocombustíveis representam uma importante alternativa aos combustíveis fósseis na luta contra o aquecimento global.
COMIDA VERSUS COMBUSTíVEL -- IMPACTO DOS BIOCOMBUSTíVEIS SOBRE O PREÇO DOS ALIMENTOS
Leia abaixo algumas estimativas feitas pela Goldman Sachs a respeito das porcentagens de vários tipos de safras agrícolas usadas mundialmente, em 2006, na produção de biocombustíveis. Enquanto o trigo branco é usado diretamente para a fabricação desse tipo de material, outras plantas como o milho e a canola poderiam tirar terra de colheitas como a do trigo, produzindo assim um impacto sobre o preço de alimentos básicos.
Trigo Milho Soja Canola Cana-de-Acúcar Consumo Humano 81% 26% 31% 33% 85% Ração Animal 17% 67% 68% 57% 0,4% Biocomb. 1% 7% 1% 10% 14%
CORTES NA EMISSÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA -- BIOCOMBUSTíVEIS COMPARADOS COM OS COMBUSTíVEIS FÓSSEIS
O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar no Brasil proporciona as maiores reduções de emissão quando comparado com a gasolina, dizem analistas. E isso porque a cana é uma fonte pura de açúcar e porque é cultivada de forma extensiva, ao contrário de grãos como o milho e o trigo, que usam energia no plantio e na extração do açúcar a ser destilado.
O químico vencedor do Prêmio Nobel Paul J. Crutzen calculou no ano passado que o etanol do trigo teria um impacto sobre o aquecimento global até duas vezes maior do que o da gasolina por causa do uso de fertilizantes responsáveis por emitir um potente gás do efeito estufa, o óxido nitroso.
Leia abaixo as porcentagens estimadas dos cortes na emissão de gases do efeito estufa de que os biocombustíveis proporcionariam em comparação com os combustíveis fósseis, segundo fontes diferentes. PRODUTO Etanol Etanol Etanol Biodiesel Biodiesel Etanol SAFRA Grãos Beterraba Cana Canola Dendê Celulose ORIGEM UE, EUA UE Brasil UE Malásia projeto) Fonte/Redução: IEA 13-30% 40-60% 90% 40-60% não há não há OCDE 25% 40% 85% 50% 35% 70% Crutzen -210 a+10% -- 10-50% -- -- --
Fontes:
1. Goldman Sachs, Commodities: Food, Feed and Fuel, março de 2007
2. IEA, World Energy Outlook, 2006
3. OCDE, Biofuels: is the cure worse than the disease, setembro de 2007
4. Crutzen et. al., N2O release from agro-fuel production negates global reduction by replacing fossil fuels, Atmos. Chem. Phys. Discuss., agosto de 2007
(Reportagem de Gerard Wynn)
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