Número de mortes por violência no Rio é inaceitável, diz ONU
Por Pedro Fonseca
RIO DE JANEIRO (Reuters) - As mortes cometidas pela polícia do Rio nos últimos anos representam um número "inaceitavelmente alto" e as autoridades precisam agir para que haja uma mudança, disse nesta terça-feira a principal autoridade de direitos humanos da ONU.
"Sei que o governo fez algumas coisas para mudar a forma de policiamento, mas ainda existe um número inaceitavelmente alto de violência e mortes, especialmente por força do governo. Isso precisa ser enfrentado", disse a jornalistas a sul-africana Navi Pillay, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
De acordo com dados oficiais do Instituto de Segurança Pública do Rio, a polícia matou 1.137 pessoas em 2008 em confrontos, nos chamados "autos de resistência". De janeiro a setembro deste ano, os mortos pela polícia chegaram a 805, mantendo uma média de três mortos por dia.
Dados do ISP indicam que nos últimos 10 anos foram mais de 10 mil mortes cometidas pela polícia, com um aumento nos últimos anos durante a chamada "política de enfrentamento" do atual governo estadual.
Durante escala no Rio de sua primeira viagem ao Brasil, Pillay visitou uma das cinco favelas da cidade em que a polícia conseguiu expulsar traficantes de drogas. Apesar de ter elogiado a iniciativa, ela disse estar atenta aos altos índices de violência nas outras centenas de favelas.
"Me parece que essas medidas estão tendo efeito, porque nessa favela nós não encontramos os níveis inaceitáveis de violência e mortes que acontecem em outras favelas", disse Pillay no alto do Morro Dona Marta, após conhecer o projeto de polícia pacificadora e ouvir a opinião dos moradores.
"Meu escritório faz um acompanhamento muito próximo do que ocorre em todas as favelas, nós temos informações do que está acontecendo em todos esses lugares. Temos um contato muito próximo com as comunidades civis", acrescentou.
No mês passado, ao menos 42 pessoas morreram apenas em uma semana durante onda de violência iniciada após traficantes terem derrubado um helicóptero da polícia, despertando operações policiais em várias favelas da cidade. Continuação...

