Dólar sobe 1,25% após BC; no ano desvalorização é de 7,95%
Por José de Castro
SÃO PAULO, 29 Fev (Reuters) - O dólar registrou nesta quarta-feira a maior alta ante o real em mais de dois meses, reagindo à firme intervenção do Banco Central no mercado de câmbio depois que a moeda caiu pela manhã abaixo de 1,70 real pelo segundo dia consecutivo. Os investidores esperam que o BC continue atuando no próximo mês para segurar a queda da divisa.
A taxa de câmbio fechou com valorização de 1,25 por cento, para 1,7200 real na venda. Foi a maior alta desde 12 de dezembro, quando a cotação subiu 2,14 por cento, para 1,8445 real.
Os ganhos desta sessão levaram o dólar a reduzir a queda acumulada em fevereiro. Ainda assim, a moeda terminou o mês em baixa de 1,55 por cento.
O dólar chegou a cair à mínima de 1,6880 real logo nos primeiros negócios da sessão, o que levou o BC a fazer sua primeira intervenção do dia, por meio de um leilão de swap cambial reverso. Na operação, que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro, o BC vendeu 76 por cento da oferta de até 40 mil contratos.
No início da tarde, o BC entrou novamente e fez um leilão de compra de moeda no mercado à vista, definindo como corte a taxa de 1,7029 real.
A atuação dupla no mercado ocorreu mais cedo do que em dias anteriores e antes do fechamento da Ptax de fevereiro. Essa taxa, que serve de referência para a liquidação de contratos futuros, entre outros, fechou o mês em 1,7092 real na venda, alta de 0,40 por cento.
Foi o sexto dia seguido de atuação do BC, período em que o dólar subiu 0,35 por cento, em boa parte sustentado pela alta desta sessão.
"Hoje os leilões de fato fizeram preço", disse o estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno. "O BC tem dado sinais claros de que vai tentar defender esse patamar de 1,70 real e vai continuar agindo até perceber que esse nível está seguro", acrescentou. Continuação...

