Ricos falam uma coisa e fazem outra na Rio+20, diz fonte do Brasil

quinta-feira, 21 de junho de 2012 17:14 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 21 Jun (Reuters) - Os países ricos mostraram má-vontade e deram um mau exemplo nas negociações da Rio+20, disse à Reuters nesta quinta-feira uma alta fonte da delegação brasileira que participou das discussões sobre o texto final da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável.

"Para entender o interesse deles, basta ver que na Eco-92 todos os chefes de Estado do G7 estavam aqui. Agora, só tem um", disse a fonte, sob condição de anonimato, lembrando a presença de todos os principais líderes mundiais na reunião realizada há 20 anos na cidade.

O documento aprovado nas negociações prévias à reunião de cúpula da Rio+20, que foram lideradas pelo Brasil, recebeu críticas de ambientalistas e de delegações internacionais, principalmente da Europa, que apontaram uma falta de ambição no texto.

A delegação brasileira considera, no entanto, que as críticas não podem ser consideradas sem levar em conta que alguns desses mesmos países se recusaram a disponibilizar aportes para programas de desenvolvimento sustentável, disse a fonte.

Os países ricos, que atribuíram à crise econômica a impossibilidade de se comprometerem com recursos para o meio ambiente, "estão jogando para a galera e vendendo um discurso para opinião pública, mas nos bastidores das negociações têm sido tímidos nas propostas e negligentes em alguns casos", disse a fonte.

"Tem gente falando uma coisa e fazendo outra, literalmente", acrescentou.

O presidente francês, François Hollande, o único líder das nações do G7 presente à Rio+20-- também criticou, na quarta-feira, a falta de ambição do documento.

A fonte brasileira rebateu com firmeza as críticas de Hollande. "Participei de reuniões em que ele estava e, em nenhum momento, ele falou em colocar um centavo para a sustentabilidade", disse.   Continuação...

Jovens estendem a bandeira dos Estados Unidos com símbolos de multinacionais para protestar contra a atual política econômica durante o Rio+20 no Rio de Janeiro, 21 de junho de 2012. REUTERS/Ueslei Marcelino