Aliados do governo saem à frente do PT nas disputas municipais
Por Jeferson Ribeiro e Maria Carolina Marcello
BRASÍLIA, 14 Set (Reuters) - Os partidos da base aliada têm se beneficiado mais da alta taxa de aprovação do governo e da presidente Dilma Rousseff do que o PT na disputa das principais capitais do país, mas não há uma explicação única para essa vantagem eleitoral.
Para cientistas políticos, este quadro eleitoral tem motivações que variam desde as cisões no PT para definir os candidatos em algumas capitais até o fato de que os partidos aliados podem capitalizar os pontos fortes do governo, deixando o ônus da administração federal apenas para o partido da presidente.
Mas tanto analistas como políticos lembram que as eleições municipais não estão ligadas diretamente ao quadro político nacional e que os eleitores levam em conta, principalmente, os problemas locais na hora de escolher o candidato.
"Esses partidos aliados surfam em onda muito boa. Usam a onda (de aprovação) do governo e capitalizam a rejeição que o PT tem. O PSB é o que melhor usa isso", afirmou o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Leonardo Barreto.
O professor da Unicamp Roberto Romano avalia que o esforço do governo para manter a ampla base aliada alimentou a perda de protagonismo do PT.
"O PT perdeu, então, essa condição de partido hegemônico. E os aliados também têm a máquina nas mãos", avaliou Romano.
Dos 38 postos do primeiro escalão do Executivo, 13 são ocupados por partidos aliados, o que lhes permite direcionar políticas públicas e verbas da máquina federal.
Em São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre, o PT enfrenta diretamente partidos aliados e está atrás em todas essas disputas até o momento, segundo as pesquisas. Continuação...

