Software de espionagem a funcionários de banco tem perspectivas

segunda-feira, 19 de maio de 2008 13:34 BRT
 

Por Olesya Dmitracova e Jim Finkle

LONDRES/BOSTON (Reuters) - Caso você trabalhe em um banco, um computador pode estar lendo seus e-mails, ouvindo seus telefonemas ou analisando as conversas que você realiza em chats.

Até mesmo os funcionários de um setor acostumado à vigilância, como os bancos, podem se indignar com o uso de um computador para esse fim.

Mas existem fortes perspectivas quanto a esse nicho do software, à medida que os bancos tentam manter controle mais estreito sobre seus funcionários depois de escândalos como as operações não autorizadas de Jérôme Kerviel no Société Générale ou os agressivos boatos que solaparam bancos como o HBOS e o Bear Stearns.

"Com a crise de crédito e assim por diante, as pessoas começaram a tomar muito mais cuidado", disse Ruggero Contu, principal analista de pesquisa da consultoria de tecnologia Gartner.

Conhecidas coletivamente como "e-discovery", essas tecnologias estão florescendo a despeito da desaceleração em outras áreas. A Gartner prevê que o segmento gere 760,5 milhões de dólares em receita este ano, ante 524,5 milhões de dólares em 2007.

Os sistemas de registro e monitoração das atividades dos funcionários podem ajudar as empresas a recolher grande quantidade de informações internas --algo de que elas talvez precisem cada vez mais dados os processos judiciais causados pela crise do mercado hipotecário de risco (subprime), ou para atender às exigências regulatórias mais severas.

Os políticos dos Estados Unidos vêm exigindo regras mais duras, depois do colapso do mercado da habitação, que vinham ritmo acelerado, enquanto a lei Sarbanes-Oxley, de 2002, de contabilidade corporativa e proteção aos investidores, já gerou requisitos legais complexos.

"A base geral de tecnologia está sob pressão por conta da compressão de crédito, mas existem alguns nichos, como o mercado de e-discovery, que podem se beneficiar do reforço na regulamentação", disse Joseph Bori, analista do setor de tecnologia no Deutsche Bank.

Os bancos estão reduzindo as despesas não essenciais e demitindo funcionários para compensar seus prejuízos e a queda nos negócios. Mas os gastos com sistemas de e-discovery contrariam a tendência.