Setor de tecnologia vê mais fusões apesar de crédito difícil

sexta-feira, 23 de maio de 2008 15:10 BRT
 

Por Ritsuko Ando

NOVA YORK (Reuters) - O setor mundial de tecnologia deve se consolidar ainda mais à medida que empresas procuram adquirir recursos que atendem nichos de mercado e obter economia de escala, ainda que os problemas nos mercados de crédito tornem mais difícil levantar dinheiro para as transações.

A maioria dos executivos participantes da Reuters Global Technology, Media and Telecoms Summit, esta semana, disseram que esperam mais fusões e aquisições em seus setores, sejam em software, serviços de computação ou operadoras de redes.

"Acredito que as avaliações sejam atraentes agora, e creio que teríamos vantagens, em uma estrutura como essa, porque nosso balanço é muito sólido, temos forte geração de caixa e um bom volume de recursos disponível", disse Mark Loughridge, vice-presidente financeiro da International Business Machines (IBM) .

"Quando adquirimos a Lotus, 10 anos atrás, agíamos de maneira oportunista no que tange às fusões e aquisições. Agora, essas transações são muito mais um aspecto operacional do nosso negócio", disse ele.

Mesmo com o recuo nas operações de aquisição comandadas pelo setor de capital de risco, as empresas de tecnologia não deixaram de ver bom número de transações, este ano, entre as quais o acordo que levará à aquisição da Electronic Data Systems pela Hewlett-Packard, em uma transação avaliada em 13,2 bilhões de dólares.

E o maior negócio no Vale do Silício este ano pode ainda estar por vir, já que a Microsoft e o Yahoo continuam a se contemplar sorrateiramente.

Dados da Dealogic mostram que as empresas de tecnologia de todo o mundo anunciaram 1.991 fusões e aquisições este ano, 16 por cento a mais do que no mesmo período em 2007. Mas o valor menor das transações reduziu o montante total envolvido de 105 bilhões no ano passado para 94 bilhões de dólares.

Refletindo a abordagem de que "menor é melhor", executivos de grupos de software como a Adobe e a McAfee expressaram mais interesse na aquisição de tecnologias específicas do que em fusões grandes e transformadoras.

O presidente-executivo da Adobe, Shantanu Narayen, afirmou que a empresa mira neste momento companhias com 10 a 50 empregados que tenham tecnologias complementares às suas. Já o principal executivo da McAfee, Dave DeWalt, disse que a empresa busca aquisições que envolvam de 50 milhões a 350 milhões de dólares.