1 de Julho de 2008 / às 12:18 / 9 anos atrás

Bienal de arte e tecnologia reúne robôs que dançam e pintam

<p>Bienal de arte e tecnologia re&uacute;ne rob&ocirc;s que dan&ccedil;am e pintam. Desenho do rob&ocirc;-pintor RAP3, em exposi&ccedil;&atilde;o na 4a edi&ccedil;&atilde;o da Bienal de Arte e Tecnologia do Ita&uacute; Cultural, que abre na quarta-feira para o p&uacute;blico. Photo by $Byline$</p>

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Um robô-pintor e um grupo de robôs que disputam a atenção do visitante são os destaques da 4a edição da Bienal de Arte e Tecnologia do Itaú Cultural, que abre na quarta-feira.

“Emoção Art.ficial 4.0 -- Emergência” reúne 16 trabalhos de artistas de diferentes nacionalidades, espalhados por três andares do prédio da instituição na avenida Paulista, além de uma grande instalação no metrô Paraíso.

Uma biblioteca sonora, um mixer de vídeos do YouTube e um programa de computador para criar monstros de um videogame também fazem parte da Bienal, em cartaz até setembro.

Apesar dos robôs e das obras tecnológicas, todos previamente programados ou organizados por artistas, as obras trazem comportamentos imprevisíveis, como que subvertendo as regras simples de seus criadores.

“O conceito comum é que a programação é sempre completamente previsível. Mas o conceito de emergência mostra que isso não é verdade”, explicou Marcos Cuzziol, coordenador do Itaulab (núcleo de arte e tecnologia do instituto) e um dos organizadores da Bienal. “A criatura extrapola um pouco aquilo que o criador imaginou”, disse.

Os dois trabalhos que apresentam robôs estão no primeiro andar do prédio. Em uma sala escura, quatro robôs com luzes coloridas observam a entrada dos visitantes e analisam seus padrões faciais através de um software de reconhecimento.

“Eles competem pela atenção do visitante. São como crianças querendo chamar atenção, mas que não sabem muito bem como fazer”, explicou o artista irlandês Ruairi Glynn.

Os robôs trocam informações entre si, e seus comportamentos e luzes vão mudando conforme a eficácia de suas performances para conseguir manter o interesse do público.

EDITOR DE MONSTROS

Na mesma sala está o RAP3, o robô-artista, criado pelo português Leonel Moura. Autônomo, o robô cria desenhos abstratos a partir de códigos em seu “cérebro” que vão interagindo entre si e criando trabalhos originais.

“Ele decide tudo sozinho, como serão as linhas, onde a cor vai se concentrar, quando termina e onde assina. É muito imprevisível”, afirmou Moura, que por sua vez não pinta.

“Sou artista do século 21, e não do século 20. Aquilo que me interessa como artista é a capacidade de inovar, de abrir portas, de ampliar o campo da arte.”

A artista brasileira Raquel Kogan criou uma estante com 50 livros-objetos que, ao serem abertos, emitem na sala inteira o som de trechos de livros de diversos autores, como Fernando Pessoa e Clarice Lispector, criando uma verdadeira torre de babel.

A obra “youTag”, do brasileiro Lucas Bambozzi, mixa vídeos do YouTube a partir de três palavras digitadas pelo visitante, que receberá apenas em seu email o produto final. Já o trabalho “Spore” é um editor de criaturas para um videogame da Electronic Arts que deve ser lançado em setembro.

Segundo Cuzziol, cada visitante terá cerca de 15 minutos para criar seu monstro e deixá-lo em uma base de dados na Internet, que poderá ser usado no universo intergaláctico do jogo de Will Wright, o mesmo de SimCity e The Sims.

Antes de chegar à exposição, o público pode passar pelo metrô Paraíso para ver o “jardim virtual” do artista mexicano Miguel Chevalier, em um vídeo de 9 metros por 3 metros.

As flores e árvores são criadas por seis variedades de plantas digitais, que entram em processo de polinização com a interação do público, por meio de sensores, criando novas e inesperadas florações.

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