February 8, 2008 / 12:11 PM / in 9 years

Telecomunicações dos EUA não são porto seguro na economia fraca

3 Min, DE LEITURA

Por Sinead Carew

NOVA YORK (Reuters) - Em tempos de recessão, os investidores em geral preferem os papéis de telecomunicações a outras ações, pois acreditam que, por pior que esteja a economia, as linhas telefônicas serão a última coisa que os consumidores aceitarão perder.

Mas desta vez as ações das empresas de telecomunicações estão entre as mais atingidas, já que Wall Street está preocupada com a possibilidade de que a crise na habitação e a concorrência entre as operadoras de cabos vá reduzir o crescimento no mercado de Internet em banda larga e de sistemas sem fio de comunicação, que já estão amadurecendo.

O índice Standard & Poor's de serviços de telecomunicações caiu em 4,3 por cento no começo da semana, depois que dados sobre o setor de serviços norte-americano mostraram queda a patamares inéditos desde a recessão de 2001.

Um alerta da fabricante de equipamento de telecomunicações Cisco, na noite de quinta-feira, colocou ainda mais pressão sobre o setor, e o índice agora caiu em cerca de 15 por cento este ano, ante um recuo de cerca de 10 por cento no Standard & Poor's 500.

"Os serviços de telecomunicações são ações defensivas, e são negociadas como papéis cíclicos", disse Thomas Lee, estrategista chefe do JPMorgan para o mercado de ações. "O setor de telecomunicações nunca encolheu, nem mesmo em períodos de recessão."

O que mudou desde a última recessão é que o crescimento da telecomunicação sem fio e da banda larga amadureceu e se desacelerou. Mais de 80 por cento dos norte-americanos já dispõem de celulares, por exemplo.

Acrescentem a isso a feroz competição das operadoras norte-americanas de cabos que oferecem pacotes combinados de televisão, telefonia e Internet, e começa a parecer que empresas como AT&T e Verizon Communications já não são imunes como no passado.

Chris King, analista da Stifel Nicolaus, espera que o crescimento no número de assinantes de Internet de banda larga nos EUA se reduza a 10 por cento este ano ante 19 por cento em 2007, e considera que o número de assinantes de serviços de comunicação sem fio crescerá em oito por cento este ano, ante 13 por cento em 2007.

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