Nanotubos de carbono podem apresentar riscos à saúde

terça-feira, 20 de maio de 2008 16:33 BRT
 

Por Michael Kahn

LONDRES (Reuters) - Certos tipos de nanotubos de carbono se comportam de maneira semelhante à fibra de amianto e poderiam causar câncer de pulmão depois de décadas de exposição, anunciou na terça-feira uma equipe de pesquisadores internacionais.

A conclusão sugere que esse bloco leve de construção, um novo "material maravilha" 100 vezes mais forte que o aço e utilizado em diversos produtos de emprego cotidiano, poderia ser perigoso caso inalado em quantidade suficiente, afirma a equipe em artigo publicado pela revista Nature Nanotechnology.

"Nossos resultados sugerem que novas pesquisas são necessárias e que deve haver grande cautela antes de colocar no mercado novos produtos, se desejamos evitar riscos em longo prazo", escreveu Ken Donaldson, pesquisador da University of Edinburgh, que assina o artigo com seus colegas do estudo.

Os nanotubos de carbono são estruturas em escala molecular feitas de grafite de carbono e usadas como um material muito forte e de peso leve nos setores de construção, engenharia estrutural, aeronáutica e para diversos outros propósitos, entre os quais raquetes de tênis e bastões de beisebol. Desde a descoberta dessas estruturas, entretanto, quase 20 anos atrás, os cientistas estão intrigados com os possíveis riscos à saúde. E a preocupação ganha importância dada a expectativa de que o mercado mundial de nanotubos movimente um bilhão de dólares em 2014.

Uma preocupação específica é determinar se os nanotubos de carbono se comportam de maneira semelhante à fibra de amianto, amplamente utilizada no século 20 até que fosse demonstrado que o material causava um câncer do revestimento pulmonar que podia se manifestar décadas depois da exposição.

Os pesquisadores injetaram diversas espécies de nanotubos nas cavidades abdominais de camundongos e constataram que os tubos longos e retos causavam inflamações e lesões capazes de conduzir ao câncer.

Mas o estudo sugere que os nanotubos de carbono mais curtos e curvos não têm efeito semelhante, indicando que produtos fabricados com eles podem ser seguros, afirmaram os pesquisadores.