5 de Dezembro de 2007 / às 21:03 / 10 anos atrás

Produtor de Tropa de Elite aposta agora em conteúdo para celular

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - Eduardo Costantini Jr, empresário argentino de 32 anos que aposta no cinema latino-americano, agora planeja entrar na produção de conteúdo para aparelhos móveis, como o celular.

Ele avalia oportunidades de aquisição de fatia de controle ou minoritária em empresas de conteúdo digital com potencial de crescimento do Brasil, México ou Argentina. A empreitada ainda está em fase inicial, mas ele já estima dispor de 15 milhões de dólares nos próximos três anos.

“Ainda estamos conversando com empresas que produzam ring tones (toque de celular), games e pequenos filmes”, afirmou ele à Reuters depois de ter participado do seminário Economia Criativa, organizado pelo governo do Estado de São Paulo.

Costantini, que participou da produção do filme “Tropa de Elite” não está trocando a tela grande pela pequena. A diversificação, esclareceu o filho do milionário argentino dono do quadro “Abaporu”, da brasileira Tarsila do Amaral, é uma necessidade para equacionar o negócio.

A Constantini Films e a empresa dos irmãos Weinstein, ex-donos da Miramax, estão montando uma joint-venture, ainda não batizada, para levantar recursos junto a fundos de capital de risco (venture capital) para financiar a produção cinematográfica. Para tal, é preciso reduzir os riscos do investimento na produção de filmes latino-americanos.

O plano de negócios da nova empresa, que deve estar pronto em seis meses, contempla três áreas de atuação. A primeira, de produção e distribuição internacional de filmes latino-americanos, é considerada de alto risco. A segunda, de distribuição de filmes estrangeiros na América Latina, garante receita estável. E era preciso acrescentar uma área de crescimento, daí a aposta no conteúdo para celular e outros dispositivos móveis.

“Com esse plano será mais fácil levantar venture capital nos Estados Unidos”, afirmou Costantini. “Será uma empresa de mídia e entretenimento ao invés de uma empresa de filmes”, esclareceu.

“TROPA DE ELITE” NA EUROPA

Abrindo o jogo sobre a lógica do negócio de produzir cinema na América Latina, o empresário argentino chegou a admitir que a pirataria do DVD “Tropa de Elite” no Brasil teve impactos positivos para o filme.

“Neste caso, não sei quanto ajudou ou prejudicou... A pirataria ajudou a divulgar o filme”, afirmou.

Costantini disse que terá lucro com o filme brasileiro. Ele informou ter colocado 2 milhões de dólares na produção e espera um retorno de 50 por cento em dois anos, com a carreira internacional da película.

A estratégia está traçada: entre o festival norte-americano de Sundance e o de Berlim, na Alemanha, os distribuidores escolheram o segundo. “Existe grande probabilidade de que o filme entre na seleção competitiva de Berlim”, comentou Costantini.

Na Alemanha, as perspectivas de venda do filme para o mercado europeu são muito grandes, na avaliação do empresário. Ele citou países como França, Itália e Inglaterra em que o filme estrearia em fevereiro. Ainda em 2008, “Tropa de Elite” deve estrear no circuito EUA-Canadá, além da Ásia.

A joint-venture Costantini-Weinstein pretende também criar uma distribuidora de filmes no Brasil, para poder usar de benefícios fiscais decorrentes do investimento na produção.

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