China recua e libera Internet para jornalistas na Olimpíada

sexta-feira, 1 de agosto de 2008 09:37 BRT
 

Por Karolos Grohmann

PEQUIM (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Organizador dos Jogos de Pequim decidiram suspender as restrições ao uso da Internet por jornalistas credenciados para a Olimpíada deste mês, disse uma fonte do COI à Reuters nesta sexta-feira.

"A questão já foi resolvida", disse Gunilla Lindberg, vice-presidente do COI. "A Comissão de Coordenação do COI e o Bocog (comitê organizador) se reuniram ontem à noite e concordaram. O uso da Internet será como em qualquer outra Olimpíada."

A questão provocou polêmica nestes dias que antecedem à cerimônia de abertura, no dia 8. O COI inicialmente insistia que não havia censura, enquanto o Bocog admitia que sites "ameaçadores" continuariam sofrendo restrições do regime comunista.

Agora, o acesso a todos os sites estará liberado para jornalistas credenciados durante o período dos Jogos, mas continuará havendo as restrições de sempre para o resto do país. Isso significa que páginas alusivas à proscrita seita Falun Gong e a outros temas espinhosos continuarão impossíveis de serem vistos pela população em geral.

"Nos últimos dias ficou óbvio que houve alguns sites bloqueados na Internet", disse à Reuters Kevan Gosper, chefe do comitê de imprensa do COI. "Recebi garantias incondicionais do presidente do COI, Jacques Rogge, e do presidente da Comissão de Coordenação, Hein Verbruggen, de que não mudamos de posição."

Sites agora liberados, segundo ele, incluem o da Deutsche Welle (emissora pública alemã), da ONG Anistia Internacional e da BBC em chinês.

"Já montamos uma equipe no COI para trabalhar com o Bocog para iniciar a abertura de sites que consideramos ser absolutamente necessários para realizar uma cobertura sem censura dos Jogos", disse Gosper. "Estamos no processo de desbloquear sites até então bloqueados."

Mas ele admitiu que alguns sites considerados subversivos pelo governo continuarão vetados. "São sites que têm a ver com pornografia ou que na opinião do governo nacional são subversivos ou contra o interesse nacional, e isso é normal na maioria dos países do mundo."   Continuação...