Sonda orbital flagrou descida da Phoenix em Marte

segunda-feira, 26 de maio de 2008 22:35 BRT
 

Por Irene Klotz

PASADENA, Estados Unidos (Reuters) - Um sonda orbital de olhar aguçado flagrou outra sonda, a Phoenix, mergulhando na atmosfera de Marte, onde vai procurar água e eventuais condições de vida, disseram técnicos na segunda-feira.

A Phoenix pousou às 20h53 de domingo (hora de Brasília) na região do pólo norte de Marte --até agora inexplorada por sondas. Uma tentativa semelhante, em 1999, fracassou.

A inédita foto feita pela Mars Reconnaissance Orbiter é resultado do minucioso planejamento e da sorte. Na foto, a pequena sonda aparece flutuando sob o seu pára-quedas. Ao fundo, vê-se tenuemente parte do solo marciano.

A Phoenix mesmo até agora só mandou fotos em baixa resolução que formam um panorama de 360 graus do local do pouso. Sua principal tarefa será perfurar uma fina camada do solo para tentar descobrir se no passado existiu água líquida, supostamente necessária para a vida.

A sonda usa dois satélites --o Mars Reconnaissance Orbiter e a Mars Odissey-- para se comunicar com a Terra.

Os cientistas querem aproveitar pequenas rachaduras no solo, que indicam mudanças no gelo subjacente. Durante esta semana os técnicos continuarão verificando os instrumentos e analisando o local do pouso. As atividades científicas, sob supervisão da Universidade do Arizona (Tucson), devem começar em junho.

Nas décadas de 1970 e 80, as sondas Viking já procuraram sinais de vida na superfície marciana, mas os cientistas concluíram que o constante bombardeio da radiação solar através da tênue atmosfera torna o ambiente estéril.

Já as condições subterrâneas poderiam permitir o surgimento de micróbios e bactérias, a exemplo do que acontece em ambientes extremos da Terra.

Há cerca de dez anos a Nasa usa as sondas orbitais e seus dois jipes na zona equatorial para procurar sinais de água no passado de Marte. A missão Phoenix foi pensada especialmente para investigar o pólo porque ali em 2002 a Mars Odissey apontou a existência de gelo subterrâneo.