December 6, 2007 / 1:16 PM / 10 years ago

Táxi solar custa o dobro de uma Ferrari e tenta ganhar o mundo

4 Min, DE LEITURA

Por Alister Doyle

NUSA DUA, Indonésia (Reuters) - O táxi de Louis Palmer custa praticamente o dobro de uma Ferrari e chega apenas a 90 quilômetros por hora, mas pode entrar para a história por ser o primeiro carro a dar a volta ao mundo com energia solar.

Palmer, um professor suíço de 35 anos que saiu de Lucerna em julho, parou em Bali para difundir o projeto entre os 10 mil participantes da reunião climática da ONU, que vai até o dia 14.

"É a primeira vez na história que um carro está dando a volta ao mundo sem usar uma única gota de petróleo -- este carro está andando inteiramente com energia solar", disse ele à Reuters junto ao triciclo azul e branco, que puxa um reboque com seis metros quadrados de painéis solares.

O suíço já percorreu 14,4 mil quilômetros em 17 países, como Romênia, Turquia, Síria e Índia. Isso significa que ele já andou um terço do trajeto, que deva passar também pela Austrália, parte da América Latina, Estados Unidos, norte da África e de volta à Europa, dentro de aproximadamente um ano.

A distância coberta em terra será mais do que uma volta sobre a linha do Equador. Em alguns trechos, porém, Palmer depende de balsas movidas a petróleo, como foi o caso no deslocamento da Índia à Indonésia. Além disso, ele tem um veículo de apoio movido a gasolina.

Sobre o veículo há a inscrição "táxi", e Palmer quer colocar passageiros gratuitamente no outro assento disponível.

"Peguei um carona bêbado na Hungria, mas também tive o príncipe Hassan, da Jordânia, dentro do carro", contou.

Em Bali, ele já está "contratado" para apanhar o diretor do Programa Ambiental da ONU, Achim Steiner, no aeroporto.

"Quero conscientizar as pessoas de que há aquecimento global, mas que também há opções", disse Palmer.

Seu carro é um exemplo das alternativas ao petróleo que estão sendo discutidas na reunião da ONU em Bali, cujo objetivo é iniciar as negociações por um tratado contra as mudanças climáticas para entrar em vigor em 2013, quando expira o Protocolo de Kyoto.

Palmer diz que seu veículo custaria cerca de 8.900 dólares caso fosse produzido em massa, mas que se forem levados em conta os gastos de patrocinadores e amigos o valor desse exemplar único chegou a quase o dobro de uma Ferrari. "A velocidade máxima é 90, mas no tráfego urbano as Ferraris vão a 50. Que nem eu."

O carro tem nove metros de comprimento, incluindo o trailer com os painéis, e pesa 700 quilos. Palmer admite que "trapaceia" se a jornada diária excede os cem quilômetros -- precisa então usar uma bateria reserva, também carregada com energia solar.

Na Síria, o veículo se envolveu numa colisão, e depois disso o ministério local dos Transportes decidiu que ele precisaria de tratamento especial. "Aonde eu ia, havia escolta policial com motos e luzes piscando", contou.

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