DAVOS-Bill Gates defende "capitalismo criativo"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 17:55 BRST
 

Por Ben Hirschler

DAVOS, Suíça (Reuters) - O presidente da Microsoft Corp, Bill Gates, defendeu na quinta-feira o surgimento de um "capitalismo criativo" que ajude o 1 bilhão de pessoas que vivem no mundo com menos de 1 dólar por dia.

Gates, um dos homens mais ricos do mundo, disse que não pretendia demolir os pilares básicos do capitalismo, mas argumentou que as forças do mercado precisam ser mais bem usadas para atender às necessidades dos que ficaram para trás nos avanços da saúde e da tecnologia.

"Temos de encontrar uma forma de fazer com que os aspectos do capitalismo que servem às pessoas mais ricas sirvam também às pessoas mais pobres", disse ele na reunião anual do Fórum Econômico Mundial. "Gostaria de chamar esta idéia de capitalismo criativo."

O discurso proferido à nata do mundo político e empresarial reunida em Davos reflete o crescente interesse de Gates pela filantropia. O executivo transformou a Microsoft, com sede em Seattle, numa formidável e às vezes polêmica máquina de ganhar dinheiro, acusada no passado de abusar de sua posição no mercado. Mas no final de junho ele deve praticamente se aposentar da Microsoft para se dedicar à Fundação Bill & Melinda Gates, que o casal fundou em 2000 para apoiar projetos de saúde, combate à pobreza e inclusão tecnológica no mundo.

Gates disse que o interesse próprio no ambiente capitalista levou a múltiplas inovações, mas que guiá-las para o benefício de todos exige um aperfeiçoamento do sistema.

Por exemplo, se houvesse mais foco em melhorar a vida dos outros, as empresas poderiam tentar lucrar oferecendo produtos de valor a preços acessíveis para os pobres do mundo.

Ele conclamou as multinacionais a empregarem seus melhores profissionais nessa tarefa. "Este tipo de contribuição é ainda mais poderosa do que dar dinheiro ou oferecer tempo livre para que os empregados façam trabalho voluntário. É um uso com foco daquilo que sua companhia faz de melhor", afirmou.