Alemães pedem leis rígidas depois de escândalo sobre privacidade

terça-feira, 19 de agosto de 2008 12:45 BRT
 

BERLIM (Reuters) - Políticos alemães pediram leis mais rígidas de defesa da privacidade, na terça-feira, depois que autoridades revelaram que informações pessoais e financeiras sobre milhões de cidadãos alemães estavam facilmente acessíveis, por dinheiro, na Internet.

O escândalo em torno do comércio ilegal de dados sobre contas bancárias e telefônicas surgiu meses depois que casos de escutas clandestinas em algumas grandes empresas alemães causaram alarme.

"Os escândalos quanto a informações pessoais infelizmente enfatizam a urgência desta questão", disse o parlamentar Sebastian Edathy, do Partido Social-Democrata (PSD), que governa em coalizão com os democratas cristãos (CDU) da primeira-ministra, Angela Merkel.

"O Parlamento precisa... encontrar uma resposta rápida para esses casos gritantes de abuso", disse Edathy, presidente do Comitê de Assuntos Internos do Parlamento, ao jornal Neue Osnabruecker Zeitung.

Ele anunciou que convocaria uma reunião de parlamentares e especialistas a fim de avaliar leis mais rígidas de proteção de dados, depois do recesso de verão.

A proteção aos dados e à privacidade são questões sensíveis em um país que sofre com as memórias de espionagem interna pela Gestapo nazista e pela Stasi, a polícia secreta da era comunista na Alemanha Oriental.

O novo debate foi deflagrado por informações de que um funcionário de uma central de atendimento telefônico alertou as autoridades quanto a um problema nas práticas de coleta de dados de sua empresa, entregando mais de 17 mil endereços e detalhes de contas bancárias ao serviço de proteção à privacidade do Estado alemão de Schleswig-Holstein, no norte do país.

Os promotores públicos iniciaram uma investigação.

Na segunda-feira, as autoridades de proteção à privacidade disseram que haviam conseguido adquirir seis milhões de itens de informação pessoal, incluindo detalhes bancários e telefônicos, em uma operação de infiltração na Internet, pagando 850 euros.

Elas confirmaram que essas informações parecem ter sido roubadas de arquivos de empresas de loteria ou de contratos de telefonia móvel.

(Reportagem de Kerstin Gehmlich)