Incursão chinesa do Google depende de conhecimento local

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 12:58 BRST
 

Por Sophie Taylor

XANGAI (Reuters) - As incursões do Google na China dependem de seus vínculos com parceiros locais, para superar os draconianos regulamentos de Pequim e compreender o gosto dos chineses, que formam um dos mercados de Internet mais lucrativos e de mais rápido crescimento no mundo.

Empreitadas rivais do Yahoo! e do eBay encontraram obstáculos em larga medida porque essas empresas não levaram em conta os hábitos dos consumidores chineses --como resultado de não terem contratado os funcionários certos e não formarem alianças com empresas locais de Internet.

Para encontrar o sucesso, o Google precisa evitar esses percalços.

E tudo isso enquanto percorre cautelosamente um campo minado regulatório para o qual não existem mapas. O Yahoo ainda sofre com as críticas de que ajudou Pequim a rastrear um dissidente chinês.

"A mídia ainda não é um mercado aberto, na China --o Estado tem sua agenda, e uma série de normas de regulamentação do mercado", disse Edward Yu, presidente da Analysys International, um grupo de pesquisa.

"O Google sem dúvida tomou decisões estratégicas muito boas, porque optou por selecionar parceiros em lugar de agir por conta própria", disse Yu, que trabalha em Pequim.

Além da censura, há dificuldades como a localização dos melhores talentos a contratar a fim de construir equipes locais fortes, às quais deve ser concedida autonomia para tomar decisões sem consulta à sede norte-americana, em um mercado de rápido crescimento no qual velocidade faz toda a diferença.

A rival chinesa Baidu.com iniciou operações e estabeleceu infra-estrutura rapidamente, deixando os concorrentes para trás. A Baidu.com compreende melhor de que maneira os chineses usam a Internet, e por isso há muito domina o mercado online doméstico.

"O Google com certeza sofrerá mais restrições regulatórias do que uma empresa local. Provavelmente não poderá importar diretamente os seus produtos mais sensíveis, como o Google News, e terá de desenvolver um equivalente chinês", disse Liu Bin, analista do grupo de pesquisa BDA.