China preocupa o Pentágono no espaço e no ciberespaço

segunda-feira, 3 de março de 2008 22:19 BRT
 

Por Andrew Gray

WASHINGTON (Reuters) - A China está desenvolvendo armas que desativariam a tecnologia espacial de inimigos, como satélites, em caso de conflito, diz um relatório divulgado na segunda-feira pelo Pentágono.

O texto afirma também que "numerosas" invasões em redes de informática mundo afora no último ano, inclusive algumas de propriedade do governo dos EUA, têm origem na China.

A avaliação aparece em um relatório anual do Pentágono ao Congresso sobre o poderio militar chinês. Pequim habitualmente critica o relatório, afirmando que ele se equivoca ao retratar a China como uma ameaça.

David Sedney, especialista em China do Pentágono, disse que não há alarme por parte dos EUA, mas reiterou as frequentes críticas norte-americanas quanto à falta de transparência de Pequim para as razões da rápida modernização das suas Forças Armadas e do aumento de seus gastos militares.

"Acho que a maior coisa para as pessoas se preocuparem é realmente o fato de que não temos esse tipo de compreensão estratégica das intenções chinesas. Isso gera incerteza", disse Sedney, subsecretário-assistente de Defesa para o Leste da Ásia. Sedney disse que há especial preocupação com as atividades da China no espaço e no ciberespaço.

"A China está desenvolvendo um programa multidimensional para limitar ou evitar o uso de patrimônio espacial por parte de seus potenciais adversários durante momentos de crises ou conflito", disse o relatório.

O texto diz que o Exército de Libertação Popular "está explorando embaralhadores de satélites, armas de energia cinética, lasers de alta potência, armas de microondas de alta potência, armas com feixes de partículas e armas de pulso eletromagnético para aplicação contra-espacial".

O documento lembra ainda que a China destruiu com um míssil a um satélite desativado em janeiro de 2007, fato que já era citado no relatório anterior.

"Continuamos pedindo aos chineses que se sentem para conversar conosco sobre aquele teste, e eles não [aceitam]", afirmou Sedney.