Yahoo pede desculpas a Congresso dos EUA por caso na China

segunda-feira, 5 de novembro de 2007 11:00 BRST
 

NOVA YORK (Reuters) - Um importante executivo do Yahoo se desculpou por não ter fornecido a legisladores norte-americanos informações adicionais sobre o suposto papel da empresa no aprisionamento de um dissidente chinês.

O pedido de desculpas acontece dias antes de uma audiência perante um comitê do Congresso norte-americano, esta semana, na qual Jerry Yang, o presidente-executivo do Yahoo, deve responder perguntas sobre a revelação de informações pela empresa a autoridades chinesas.

O Yahoo foi acusado de ajudar o governo chinês a identificar Shi Tao, jornalista condenado em abril a 10 anos de prisão por revelar segredos de Estado no exterior.

No mês passado, o presidente do comitê de assuntos externos da Câmara dos Deputados informou que um executivo do Yahoo havia fornecido "informações falsas" em uma audiência em 2006 sobre o que a empresa sabia sobre a investigação de Shi pelo governo chinês.

Em fevereiro de 2006, Michael Callahan, diretor jurídico do Yahoo, depôs informando que o Yahoo China, então subsidiária do Yahoo, havia repassado informações sobre um de seus usuários às autoridades chinesas, em 2004, sem saber o motivo para que a China desejava os dados.

Foi só em outubro de 2006 que Callahan compreendeu que a ordem do governo chinês mencionava uma investigação sobre segredos de Estado, de acordo com Tracy Schmaler, porta-voz do Yahoo.

O problema foi causado pela má tradução de uma ordem das autoridades chinesas recebida por um advogado da empresa na região em 2004. O advogado só obteve a tradução correta depois da audiência de 2006, segundo Schmaler.

"Meses depois do meu depoimento a dois subcomitês da Câmara sobre a abordagem do Yahoo quanto aos negócios na China, compreendi que o Yahoo tinha informação adicional sobre uma ordem promulgada em 2004 pelo governo chinês para solicitar informações sobre um usuário do Yahoo China", afirmou Callahan em comunicado datado de 1 de novembro.

"Eu não alertei o comitê quanto a essa nova informação, e esse equívoco gerou um mal-entendido que lamento profundamente e pelo qual já pedi desculpas ao comitê", afirmou Callahan.

(Por Tiffany Wu e Robert MacMillan)