Google em disputa com legisladores europeus sobre privacidade

terça-feira, 22 de janeiro de 2008 10:02 BRST
 

Por David Lawsky

BRUXELAS (Reuters) - O Google criticou parlamentares europeus e grupos de defesa da privacidade, na segunda-feira, por seus esforços para convencer as autoridades a avaliar como o grupo trata as informações pessoais de seus usuários em sua análise da tomada de controle acionário da rival DoubleClick, em uma transação de 3,1 bilhão de dólares.

O argumento foi um dos pontos centrais na audiência do Parlamento Europeu para estudar o papel crescente que a Internet vem exercendo na violação dos direitos dos cidadãos à privacidade.

A Federal Trade Commission (FTC) dos Estados Unidos aprovou no mês passado a transação do Google, que combinaria sua posição dominante na publicidade online vinculada a buscas à posição de liderança da DoubleClick no mercado de publicidade em banners de Internet.

Depois de ouvir um comissário da FTC, grupos norte-americanos e europeus de defesa da privacidade e membros do Parlamento europeu questionarem o impacto da transação sobre os direitos dos cidadãos europeus à privacidade online, o diretor jurídico do Google para questões de privacidade rebateu.

"As pessoas estão tentando encaixar um caso de privacidade em uma revisão que gira em torno das leis de defesa da competição... Compreendo que as pessoas continuem a difundir essa tese na Europa depois de serem derrotadas nos EUA", disse Peter Fleischer. O ataque dele não fez muito para acalmar as águas.

"O motivo para que vocês desejem os dados é que eles lhes oferecem vantagem competitiva. São os negócios. Não acredito que as duas coisas possam ser completamente desconectadas. E deveríamos discutir também esse lado das coisas", disse Sophie in 't Veld, a parlamentar holandesa que solicitou a audiência.

Ela declarou que a informação é um fator de concorrência e declarou que "dispor de tanta informação se traduz em poder de mercado."

Pamela Harbour, comissária da FTC, disse que seus quatro colegas na comissão haviam adotado uma abordagem tradicional e excluído questões de privacidade de sua decisão, mas ela dissentiu.

"Creio que uma abordagem tradicional não captura os interesses de todas as partes. Não existe representação do consumidor cuja privacidade está em jogo", afirmou.