Índia e RIM discutirão sobre BlackBerry--fonte

quarta-feira, 28 de maio de 2008 13:39 BRT
 

Por Devidutta Tripathy

NOVA DELHI (Reuters) - A Research in Motion, fabricante do aparelho celular BlackBerry, tem uma reunião marcada com funcionários do governo indiano nesta quinta-feira para dirimir questões de segurança, mas analistas dizem que uma solução amigável parece difícil.

As agências de segurança indianas afirmam que os serviços oferecidos pelos aparelhos BlackBerry representam risco, porque os e-mails enviados por meio do aparelho não poderiam ser traçados ou interceptados. Por isso, o governo indiano escreveu à RIM solicitando que esta instalasse servidores na Índia.

"Haverá uma reunião amanhã", disse um funcionários do Ministério das Telecomunicações que não quis que seu nome fosse revelado. Um porta-voz da RIM na Índia preferiu não comentar.

O governo realizou uma série de reuniões com a RIM e operadoras de telefonia móvel, e o ministro das Telecomunicações, Andimuthu Raja, disse na semana passada que a empresa canadense havia garantido ao governo que ofereceria uma solução em prazo de dois meses.

Mais tarde, porém, a RIM afirmou em nota enviada a seus clientes indianos que a empresa não dispõe de uma cópia da chave de criptografia de cada um deles e que "simplesmente seria incapaz" de atender a um pedido como esse.

A RIM, que conta com 114 mil usuários do BlackBerry na Índia, afirma que está em operação em 135 países e usa uma arquitetura de segurança que foi verificada ao longo dos últimos nove anos e aceita pelas empresas e governos mais preocupados com a segurança em todo o mundo.

"A RIM não dispõe de uma 'chave mestra' e tampouco existe uma 'porta dos fundos' para o sistema que permitisse que a RIM ou terceiros obtivessem acesso não autorizado a dados empresariais," afirmou a empresa em seu comunicado aos clientes. Vijay Mukhi, um especialista em segurança da Internet, afirmou que era difícil acreditar que ninguém dispusesse da chave para cifrar ou decifrar as mensagens.

"Os Estados Unidos gastaram bilhões de dólares vigiando o ciberespaço. Duvido que permitissem que o BlackBerry operasse caso ninguém disponha da chave de criptografia", ele afirmou.