Garimpeiros urbanos procuram metais preciosos em celulares

segunda-feira, 28 de abril de 2008 16:40 BRT
 

Por Miho Yoshikawa

HONJO, Japão (Reuters) - Pensando em jogar fora o seu velho celular? Melhor reconsiderar. Talvez você devesse primeiro procurar por ouro, prata, cobre e diversos outros metais preciosos incorporados aos circuitos eletrônicos do aparelho, já que muitos estão batendo recordes de preços.

Trata-se do "garimpo urbano", a busca de metais em produtos eletrônicos descartados para extrair metais preciosos como o ouro e o irídio. A atividade está em crescimento em todo o mundo, com a disparada dos preços dos metais.

Os metais recuperados são reutilizados em novos componentes eletrônicos. O ouro e outros metais preciosos podem ser derretidos e vendidos como lingotes para joalheiros e investidores, ou de volta aos fabricantes que os empregam nas placas de circuitos de celulares porque o ouro é melhor condutor que o cobre.

"Os metais podem ser preciosos ou comuns, mas queremos reciclar todo o possível", disse Tadahiko Sekigawa, presidente da Eco-System Recycling, subsidiária da Dowa Holdings.

Uma tonelada de minério extraída de uma mina de ouro produz em média apenas 5 gramas do metal, enquanto uma tonelada de celulares descartados pode render 150 gramas ou mais, de acordo com estudo da Yokohama Metal, outra empresa de reciclagem de metais.

O mesmo volume de celulares descartados contém também cerca de 100 quilos de cobre e três quilos de prata, entre outros metais.

A reciclagem vem ganhando importância à medida que os preços dos metais atingem recordes históricos. O ouro vem sendo negociado a cerca de 890 dólares por onça-troy, depois de estabelecer um recorde histórico em março, com a cotação de 1.030 dólares.

Cobre e estanho também estão perto de seus recordes de alta, e os preços da prata superam em muito as médias de longo prazo.

Reciclar eletrônicos faz sentido no Japão, onde há escassez de recursos naturais para alimentar a bilionária indústria de eletrônicos do país. Os consumidores jogam dezenas de milhões de celulares e outros bens de consumo eletrônicos obsoletos no lixo a cada ano.