Agressão virtual se torna praga no Japão

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 12:25 BRST
 

Por Yoko Kubota

TÓQUIO (Reuters) - Para muitas crianças japonesas, um celular é um instrumento social sem o qual elas não imaginam viver. Para Makoto, um aluno de segundo grau, ele se tornou um instrumento de tortura mental que quase o conduziu ao suicídio.

"Mesmo quando deixei de ir à escola e ficava em casa, o celular continuava a tocar, me alertando sobre os e-mails agressivos que eu recebia", conta Makoto, que se tornou anoréxico e ficou quase seis meses sem sair do quarto depois que se tornou alvo de "agressão virtual".

Makoto, 19, está trabalhando como cabeleireiro, depois de concluir o segundo grau, e diz que seus colegas postavam fotos suas, acompanhadas de insultos, em um site, e enviavam e-mails ao seu celular o dia inteiro, dizendo que ele devia morrer. Makoto tentou o suicídio duas vezes.

"Quando as pessoas dizem que sua vida não vale a pena, você começa a acreditar nisso", afirma Makoto, que pediu que seu sobrenome não fosse divulgado. "Eu não posso acreditar mais nos seres humanos."

Cerca de 10 por cento dos estudantes de segundo grau japoneses dizem terem sido vítimas de agressão por e-mail, em sites ou blogs, de acordo com uma recente pesquisa do conselho de educação da prefeitura de Hyogo.

A agressão virtual é uma tendência mundial, mas o anonimato que oferece aos perpetradores pode ter significado adicional no Japão, onde a norma cultural dispõe que confrontos sejam evitados, disse Shaheen Shariff, pesquisador que comanda o International Project on Cyber Bullying, na McGill University, do Canadá.

"Os jovens são controlados demais? Sofrem pressão demais pelo sucesso acadêmico? Dispõem de um caminho para expressar seus sentimentos... esses tabus?", questionou Shariff.

A maior parte das agressões virtuais no Japão, país em que 96 por cento dos estudantes de segundo grau estão equipados de celulares, são conduzidas por meio de celulares com capacidade de Internet e e-mail. Métodos comuns incluem envio de e-mails a colegas de escola contendo fotos dos órgãos genitais da vítima, e a publicação de insultos nos sites da escola.

Os especialistas dizem que a agressão virtual é mais difícil de policiar por pais e professores do que a violência física, devido ao anonimato do ciberespaço e à falta de conhecimento técnico.