ANÁLISE-Apple dá novo tom em futuro da música

segunda-feira, 19 de maio de 2014 13:31 BRT
 

Por Christina Farr e Ronald Grover e Lisa Richwine

SAN FRANCISCO/LOS ANGELES (Reuters) - Mais de uma década atrás, o falecido Steve Jobs fez uma de suas características manobras de distorção da realidade, pressionando executivos de gravadoras de música a vender músicas na então nascente loja digital iTunes da Apple por mero 0,99 dólar cada uma.

Agora, a mesa virou e é a Apple que está sendo forçada a um acordo que está longe de ser uma vitória garantida.

A companhia deve anunciar esta semana um acordo de 3,2 bilhões de dólares para comprar a Beats Electronics, empresa fabricante de fones de ouvido e que opera um serviço de transmissão de música online fundada pelo lendário produtor de música Jimmy Iovine e pelo rapper Dr. Dre, segundo três fontes familiarizadas com o planejamento da Apple.

O acordo virá depois que a Pandora Media e a Spotify já reclamaram a vanguarda da revolução de transmissão de música, enquanto a resposta da Apple -- a iTunes Radio que existe há oito meses -- enfrenta dificuldades.

"A Apple está cerca de dois anos atrasada, atrás da Spotify", disse David Pakman, um investidor em música digital com a Venrock Capital e co-criador do Music Group da Apple. "Eles precisam de uma oferta de transmissão".

Com os downloads de músicas digitais em queda, as gravadoras colocaram pressão sobre a Apple para que ela se estruture em transmissão, segundo duas das três fontes. As gravadoras esperam que a Apple possa tornar a Beats Music uma concorrente forte à Spotify e outros serviços de streaming de música, disseram as fontes.

Nos últimos meses, as grandes gravadoras têm ficado insatisfeitas com o desempenho da iTunes Radio, disse a fonte. As assinaturas de streaming são atualmente a fonte de receita que cresce mais rapidamente para a indústria fonográfica, mas a Apple não teve impacto.

As assinaturas tiveram um salto de 51 por cento em 2013 para 1,1 bilhão de dólares, de um total de 15 bilhões de dólares gastos com música, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Enquanto isso, os downloads caíram 2,1 por cento.   Continuação...