Brasileiros estão mais dispostos a trocar de operadora de celular, diz estudo

sexta-feira, 23 de maio de 2014 18:12 BRT
 

Por Luciana Bruno

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os consumidores brasileiros estão mais propensos a trocar de operadora de celular na comparação com clientes de outros países, segundo estudo da fabricante de hardware e software de infraestrutura de redes Nokia.

Segundo a pesquisa, divulgado nesta sexta-feira à Reuters, 67 por cento dos consumidores brasileiros mudaram de operadora nos últimos cinco anos, e 48 por cento mostraram-se dispostos a mudar nos próximos 12 meses. No mundo, essa taxa é inferior a 40 por cento. Em países como Rússia e Estados Unidos, é de cerca de 27 por cento, apontou o levantamento, que abordou 12 mil usuários de 11 países.

De acordo com Fernando Carvalho, diretor de estratégia e desenvolvimento de negócios da Nokia para a América Latina, a percepção de qualidade é fator determinante para a decisão de trocar de operadora.

"Isso acontece ao mesmo tempo em que o cliente vai ficando mais sofisticado", disse. "O cliente brasileiro vai se aproximando do comportamento de clientes europeus ou norte-americanos."

A qualidade é principal fator de retenção para 41 por cento dos consumidores, contra 29 por cento em países considerados maduros em telefonia móvel (Espanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Coreia do Norte). A categoria preço e cobrança foi apontada como mais importante para 33 por cento dos usuários no Brasil.

"Desde a privatização, as operadoras no Brasil estão em uma batalha por usuários. Então, a batalha por qualidade é nova. E usuários agora estão dispostos a pagar mais por isso, o que até então não tínhamos visto", disse Carvalho.

Segundo o executivo, é mais fácil para as operadoras disputarem usuários no quesito preço, já que para ter mais qualidade são necessários investimentos maiores em rede, que levam anos para serem concluídos.

"As operadoras no Brasil investem (em redes) no mesmo patamar das operadoras no exterior, de 17 a 19 por cento da receita de serviços", declarou Carvalho. "Mas o desafio é que crescemos mais rápido em usuários nos últimos anos, e talvez tenhamos uma dificuldade maior de lançar sites (antenas) do que outros países."   Continuação...