S&P retira Oi de listagem "Creditwatch" negativa; mantém nota em "BBB-"

sexta-feira, 23 de maio de 2014 19:59 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Standard & Poor's retirou a Oi da listagem de monitoramento para um possível corte de nota no curto prazo, mas manteve a classificação da empresa em "BBB-" na escala global, informou a agência de classificação de risco nesta sexta-feira.

A nota BBB- na escala global está um grau acima do nível especulativo. A perspectiva dos ratings de crédito em ambas as escalas é negativa.

"A ação de rating reflete a fusão da Oi com a Portugal Telecom, cujo processo está em seu estágio final", disse a agência em comunicado. Em 5 de maio, a Oi completou uma emissão pública de ações, na qual captou 8,25 bilhões de reais.

"Em nossa visão, esse foi o passo final para a fusão, originalmente anunciada em 2 de outubro de 2013", disse a S&P. "Solucionamos o CreditWatch agora porque em nosso entendimento a fusão é uma certeza, apesar de a combinação de negócios levar alguns meses para se completar em função da pendência de registros e aprovações requeridos."

A definição de "creditwatch" ocorre quando a agência acredita que há uma alta probabilidade de realizar uma ação de rating no prazo de 90 dias.

Na avaliação da agência, o perfil de risco de negócios "satisfatório" da Oi reflete sua posição competitiva favorável no mercado brasileiro de telecomunicações graças a uma presença nacional em telefonia fixa.

"Esperamos que a empresa mantenha uma rentabilidade média quando comparada a de seus pares da indústria. Estimamos que a margem Ebitda aumente em decorrência das várias iniciativas para melhorar a eficiência operacional e reduzir custos", disse a S&P.

Já a perspectiva negativa reflete a possibilidade de um rebaixamento nos próximos 12 meses se as métricas de crédito da empresa não melhorarem em função de maiores desafios operacionais. Segundo a agência, o rebaixamento pode ocorrer caso não haja o esperado fortalecimento nas margens e na geração de fluxo de caixa, ou se a empresa não for bem sucedida na venda de ativos, o que daria suporte à redução do endividamento.

Em 15 de maio, o presidente da Oi afirmou em teleconferência com analistas que a companhia ainda tem 1.500 a 2.000 torres de telefonia móvel que pretende vender no "médio prazo". A empresa encerrou o primeiro trimestre com queda de 13 por cento no lucro líquido, a 228 milhões de reais.

(Por Luciana Bruno)