Esforço da UE para criar seu próprio Vale do Silício encontra céticos

terça-feira, 27 de maio de 2014 10:53 BRT
 

BRUXELAS (Reuters) - A Europa precisa dar um jeito no seu fragmentado mercado de telecomunicações e em desequilíbrios regulatórios se quiser incentivar uma nova geração de empresas de tecnologia e criar sua própria versão do Vale do Silício.

A União Europeia alocou 80 bilhões de euros (109 bilhões de dólares) para financiar pesquisas e inovações de ponta durante os próximos seis anos, salientando sua ambição no tema.

Na semana passada foi lançada a Parceria Europa de Startup (SEP, na sigla em inglês), plataforma criada para unir boas pequenas empresas de tecnologia com financiamento de companhias grandes, incluindo gigantes de telecomunicações como a Orange (ORAN.PA: Cotações) e a Telefónica (TEF.MC: Cotações).

Para Neelie Kroes, comissária europeia para assuntos digitais e de telecomunicações, é uma etapa essencial para impulsionar a concorrência e garantir que a Europa não seja deixada para trás na corrida tecnológica global.

"Se a Europa quiser desafiar o Vale do Silício como um lugar que gera negócios digitais, nossas startups precisam aprender como ganhar escala", disse Kroes ao lançar o site da SEP.

A Europa, porém, enfrenta enormes desafios para repetir o sucesso do Vale do Silício, polo ao sul de San Francisco criado nos anos 1960 que produziu algumas das firmas mais icônicas das últimas quatro décadas, incluindo a Apple, a Cisco e o Google.

Entre estes desafios estão o fragmentado setor de telecomunicações da UE, com provedoras concorrendo em quase todos os países, e uma tecnologia de infraestrutura que está longe de ser integrada.

Como se não bastasse, o cenário regulatório varia de país para país e a implementação de novas tecnologias como o 4G tem sido lenta, observaram vários empresários de tecnologia que participavam do lançamento da SEP.

A Comissão Europeia estima que a economia de aplicativos na Europa poderia acrescentar 1 milhão de empregos e contribuir com 63 bilhões de euros à economia do continente até 2018, ante 17,5 bilhões de euros em 2013.

Por Julia Fioretti